terça-feira, 3 de março de 2026

BIOTÔNICO FONTOURA: O FORTIFICANTE QUE JÁ FOI “ESPIRITUOSO”, LITERALMENTE!!!!

Assista em https://youtu.be/KZLXzqxwxkk?si=cwh2OBdWpetBeXbL
 o video completo, e em https://youtube.com/shorts/qLZyB9cGqLQ?si=f0DTu_HkVsnQRGhD a forma reduzida, ambos produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Criado em 1910 pelo farmacêutico Cândido Fontoura para fortalecer a esposa debilitada, o Biotônico Fontoura nasceu com vocação doméstica e acabou virando patrimônio afetivo nacional, até hoje firme e forte, como prometia deixar seus consumidores ao ser lançado.

Com o slogan “Ferro para o sangue e fósforo para os músculos e nervos” e o jingle inesquecível (“Bê, á, bá, … Biotônico Fontoura!”), entrou de vez na rotina das famílias brasileiras.

O nome foi sugestão de Monteiro Lobato, amigo de Fontoura e colega no jornal O Estado de S. Paulo. 

Conta-se que Lobato, cansado, tomou o tônico e se sentiu revigorado e inspirado para criar o personagem Jeca Tatuzinho do Almanaque Fontoura.

O Almanaque era uma publicação promocional que ultrapassou a propaganda e virou fenômeno editorial. 

Distribuído gratuitamente por décadas em farmácias e consultórios, trazia histórias, passatempos, conselhos de saúde e textos educativos.

Funcionava quase como uma pequena enciclopédia doméstica, misturando educação com estratégia publicitária; as imagens que ilustram esta postagem são de edições do Almanaque.

Seu personagem mais famoso era Jeca Tatuzinho, que aparecia fraco por causa da ancilostomose, mais conhecida como amarelão, mas, após tratamento e uma ajudinha do Biotônico, tornava-se saudável, trabalhador e rico.

Há ainda o detalhe “espirituoso”, o ingrediente secreto: até 2001, a fórmula continha 9,5% de álcool etílico. 

Sim, o fortificante era animado; tanto que durante a Lei Seca nos EUA, foi exportado como medicamento e consumido legalmente. 

Alguns defendem que o vigor vinha do ferro; outros desconfiam do empurrãozinho etílico.

Em 2001, a Anvisa proibiu álcool em tônicos infantis e a fórmula mudou, assim como a embalagem, modernizada em 2017.

E aqui vai um episódio pessoal: em 2003, quando cursava o terceiro ano de Letras, levei o maior vidro de Biotônico que consegui comprar, para brindar com os colegas, após um seminário sobre Lobato. 

Ninguém gostou; sem os 9,5% do “ingrediente secreto”, o sabor já não agradava.

Conclusão: concordo que criança não deve ingerir álcool, mas que o sabor de infância mudou, ah, isso mudou. 


A programação completa da rádio está em: