domingo, 21 de junho de 2026

CAMINHO DO MAR: HISTÓRIA, CULTURA E TURISMO NA SERRA DO MAR

Assista em https://youtu.be/qAhTaVY2Kfs?is=tyxve5k7GCmuk76P
 o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), popularmente chamada de Estrada Velha de Santos, guarda em seus 33 quilômetros de extensão uma história que atravessa séculos.

Ligando Santos e Cubatão a São Paulo, via Grande ABC, foi durante muito tempo a principal rota entre a Baixada Santista e a capital.

Fechada para veículos particulares desde 1985, hoje o trajeto só pode ser percorrido a pé ou em micro-ônibus da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, responsável pela administração do Polo Ecoturístico Caminhos do Mar.

A área reúne não apenas a rodovia, mas também a histórica Calçada do Lorena, inaugurada em 1792, que foi o primeiro caminho pavimentado que ligou São Paulo a Santos, construída a mando do então governador-geral da Capitania, Bernardo José Maria de Lorena.

São marcantes os monumentos erguidos em 1922 para celebrar o centenário da Independência, como o Pouso de Paranapiacaba, o Belvedere Circular, o Rancho da Maioridade e o Padrão do Lorena.

O Caminho do Mar nasceu das antigas trilhas indígenas que ligavam São Vicente a Piratininga; no século XVIII, a Calçada do Lorena trouxe inovação tecnológica facilitando o escoamento da produção de açúcar rumo ao Porto de Santos.

Já em 1920, a estrada foi pavimentada em concreto, tornando-se a primeira da América Latina com esse tipo de revestimento e símbolo da modernização do transporte rodoviário.

Com a inauguração da Via Anchieta (1947) e, posteriormente, da Rodovia dos Imigrantes (1976), o fluxo de veículos migrou para as novas pistas, deixando a Estrada Velha subutilizada. Reformada entre 1992 e 2004, ela se transformou em um espaço voltado ao turismo ecológico e histórico.

Além de sua relevância histórica, a estrada inspirou a canção “As Curvas da Estrada de Santos”, de Roberto Carlos. Hoje, o Caminho do Mar é mais do que uma rodovia, é um museu a céu aberto, onde natureza e memória se encontram.

Considerada um dos principais polos de turismo histórico e ecológico de São Paulo, a Estrada Velha oferece ao visitante mirantes com vistas espetaculares da Serra do Mar e da Baixada Santista.

Em cada curva, é possível reviver séculos de história e compreender por que o Caminho do Mar é muito mais do que uma estrada: é um patrimônio vivo da memória paulista.


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MARIE CURIE: A CIENTISTA QUE MUDOU A HISTÓRIA

Assista em https://youtu.be/70IKh4ktBoU?is=8BI-GGJwU7VARwRc o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Marie Curie, nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1867 e se tornou uma das maiores referências da ciência mundial.

Naturalizada francesa, foi pioneira nas pesquisas sobre radioatividade e a primeira pessoa a conquistar dois Prêmios Nobel em áreas distintas: Física (1903) e Química (1911).

Criada em uma família marcada por dificuldades financeiras e pelo espírito patriótico, Curie iniciou seus estudos nas raras instituições que aceitavam mulheres.

Em 1891, mudou-se para Paris, onde se formou em Física e Matemática. Lá conheceu Pierre Curie, com quem se casou em 1895 e dividiu descobertas científicas que revolucionaram o mundo.

Em 1898, o casal anunciou a descoberta de dois novos elementos químicos: polônio, batizado em homenagem à Polônia, e rádio, que se tornaria essencial na prática da medicina.

Marie foi responsável por isolar o rádio em sua forma pura em 1910, consolidando sua posição como uma das maiores cientistas da história.

Além dos Prêmios Nobel, Curie foi a primeira mulher a lecionar na Universidade de Paris e fundou dois institutos de pesquisa, em Paris e Varsóvia, que permanecem ativos até hoje.

Durante a Primeira Guerra Mundial, desenvolveu unidades móveis de radiografia, que salvaram milhares de soldados feridos.

Apesar de se tornar cidadã francesa, Marie nunca perdeu sua identidade polonesa, transmitindo a língua e a cultura às filhas.

Marie Curie é uma das maiores personalidades da ciência moderna. Sua vida dedicada ao conhecimento, marcada por descobertas que transformaram a medicina e a física, abriu caminho para gerações de mulheres e homens na pesquisa científica.

Vale lembrar que Marie Curie visitou Águas de Lindóia, interior de São Paulo, em agosto de 1926. A cientista veio ao Brasil a convite do Instituto Franco-Brasileiro e aproveitou a viagem para estudar as fontes de águas minerais radioativas locais.

Faleceu em 1934, vítima de anemia aplástica causada pela exposição prolongada à radiação e em 1995, foi a primeira mulher a ser sepultada no Panteão de Paris.

Mais do que prêmios e honrarias, sua história permanece viva nos institutos que fundou, nos avanços que possibilitou e na inspiração que continua a oferecer: a prova de que a busca incansável pelo saber pode mudar o mundo.


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

AGATHA CHRISTIE: A RAINHA DO MISTÉRIO


Assista em https://youtu.be/xp4TZJHC6Mc?is=AftW2bxQWQzxH9tT
 o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Agatha Mary Clarissa Mallowan, mais conhecida como Agatha Christie, nasceu em 15 de setembro de 1890, em Torquay, Devon.

Considerada a maior escritora de romances policiais de todos os tempos, Christie deixou 66 romances de mistério e 14 coletâneas de contos, além de peças teatrais e obras sob pseudônimo, passando a ser chamada a "Rainha do Crime".

Seus personagens, como Hercule Poirot e Miss Marple, tornaram-se símbolos universais do gênero. O primeiro romance de Poirot, O Misterioso Caso de Styles (1920), marcou o início de uma carreira brilhante.

Christie também escreveu a peça A Ratoeira, estreou em Londres em 1952 e se tornou o espetáculo que mais tempo permaneceu em cartaz.

Em 1971, recebeu o título de Dame pela Rainha Elizabeth II, em reconhecimento à sua contribuição para a literatura. Estima-se que seus livros tenham vendido mais de dois bilhões de exemplares, tornando-a a autora mais vendida de todos os tempos.

Casada inicialmente com Archibald Christie, com quem teve uma filha, Agatha enfrentou um período turbulento após o divórcio e a morte da mãe, em 1926, quando desapareceu por 11 dias, episódio que ganhou manchetes internacionais.

Em 1930, casou-se com o arqueólogo Max Mallowan e passou a acompanhar escavações no Oriente Médio, experiência que inspirou várias de suas obras.

Segundo a UNESCO, Christie é a autora mais traduzida da história. Seu livro O Caso dos Dez Negrinhos, já vendeu cerca de 100 milhões de cópias, figurando entre os mais vendidos do mundo.

Em 1955, foi a primeira a receber o Prêmio Grand Master da Associação dos Escritores de Mistério da América. Décadas depois, em 2013, foi eleita a melhor escritora de crime pela Associação dos Escritores de Crime.

Com sua escrita marcada por tramas engenhosas e desfechos inesperados, ela segue conquistando leitores e espectadores em todo o mundo, reafirmando seu título de eterna Rainha do Mistério. 

Agatha manteve sua produção literária até 1974, embora os problemas de saúde já impactassem seu estilo de escrita. Pesquisas recentes sugerem que ela sofria da doença de Alzheimer ou de outra forma de demência. 

No início de 1976, faleceu de causas naturais, encerrando uma vida dedicada ao mistério e à literatura.

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

A TURMA DO SETE: 7 NO NOME, SUCESSO COM 8



Bebéco, Jô, Chuvisco e Bolão, na frente; Fernando, Sabe-Tudo, Juca e Vavá, atrás.

Bebéco, Jô (menina), Chuvisco e Bolão (frente) 

Fernando, Sabe-Tudo, Juca e Vavá (atrás)

Assista em  https://www.youtube.com/watch?v=2B8jO7t_OvQ o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Falar da Turma dos Sete é relembrar a infância em um tempo em que poucos tinham televisão em casa e brincar com os irmãos, primos e amigos no quintal ou na rua eram as diversões preferidas. 

Em 7 de abril de 1960, a TV Record colocava no ar um programa destinado ao público infantil, A Turma dos Sete, que foi ao ar até 1965.

A televisão só chegou à minha casa em 1962 e A Turma dos Sete, rapidamente, tornou-se um sucesso entre meus irmãos e eu.

O programa que foi criado por Armando Rosas e a atração reunia sete crianças, ou melhor, oito,  trazia brincadeiras, aprendizado que vinham embrulhados em risadas e travessuras.

A ideia nasceu de uma encomenda da São Paulo Alpargatas para divulgar um calçado chamado “Sete Vidas”. 

Só que, como toda boa história de bastidores, o número sete não resistiu: apareceu um pequeno prodígio de seis anos, James Akel, que falava outros idiomas, tocava violino e roubou a cena. Resultado? A “Turma dos Sete” virou, com toda naturalidade, uma turma de oito.

No palco, desfilavam figuras marcantes: o esfomeado Bolão, o espirituoso Chuvisco com seu slogan “mixou o carbureto!”, a única menina Jô e o intelectual Sabe-Tudo, entre outros. 

Entre histórias contadas por Dona Rosa, interpretada por Jacyra Sampaio e as participações de Gilmara Sanches, Nair Bello, Gessy Fonseca, Jayme Batista e Luís Dias, o programa conquistou o público e ainda foi premiado com quatro prêmios Roquette Pinto.

Mais do que um sucesso, a Turma dos Sete era um retrato do Brasil que brincava na rua, improvisava alegria e transformava qualquer grupo de amigos em espetáculo.

Quem viveu tudo isso sabe: toda infância teve, ou quis ter, sua própria turma inesquecível.


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domingo, 10 de maio de 2026

LYGIA FAGUNDES TELLES: DO DIREITO À LITERATURA, UM CAMINHO BRILHANTE

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https://youtu.be/CIBdwRj82qU?si=55SQQRoXCCh5VJgB o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, em 19 de abril de 1918, na rua Barão de Tatuí, no bairro de Santa Cecília. 

Filha de Maria do Rosário Silva Jardim de Moura, conhecida como Zazita, pianista, e de Durval de Azevedo Fagundes, advogado que atuou como promotor público,  comissário de polícia e juiz, cresceu em um ambiente marcado pela cultura e pelo direito.

Em 1941, ingressou na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, destacando-se como uma das poucas mulheres de sua turma. Em paralelo cursou também Educação Física.

Em 1947, casou-se com seu professor, Goffredo da Silva Telles Jr., então deputado federal, mudando-se para o Rio de Janeiro.

Nesse período, exerceu a advocacia na Secretaria de Agricultura, mas logo abandonou a carreira jurídica para dedicar-se à literatura, colaborando com o jornal A Manhã, onde assinava uma coluna semanal.

De volta a São Paulo, em 1952, iniciou a escrita de seu primeiro grande romance, Ciranda de Pedra, em 1954, obra que a projetou nacionalmente. No mesmo ano, nasceu seu único filho, Goffredo da Silva Telles Neto.

Reconhecida como uma das maiores escritoras brasileiras do século XX, integrou a Academia Paulista de Letras e a Academia Brasileira de Letras. 

Sua obra, marcada pelo pós-modernismo, aborda temas universais como amor, morte, medo e loucura, com sensibilidade e profundidade.

Premiada quatro vezes com o Jabuti e agraciada, em 2005, com o Prêmio Camões, teve suas obras traduzidas e adaptadas.

Suas principais obras são: Ciranda de Pedra, Antes do Baile Verde e As Meninas. 

Lygia Fagundes da Silva Telles, conhecida como "a dama da literatura brasileira", faleceu em 3 de abril de 2022.


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segunda-feira, 4 de maio de 2026

CARLINO: TRADIÇÃO GASTRONÔMICA NO CENTRO PAULISTANO


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https://youtu.be/elOoWoRBlnM?si=121B8YJ9YqzGxXYQ o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


O Carlino Ristorante detém o título de restaurante mais antigo em atividade na cidade de São Paulo, preservando a essência da culinária tradicional toscana há mais de um século.

Sua trajetória iniciou-se em 1881, no Largo do Paissandu, sob o comando do toscano Carlo Cecchini. A gestão permaneceu com o fundador até 1949, quando outro toscano, Marcello Gianni, assumiu a direção.

Acompanhando a evolução urbana e o progresso do centro paulistano, o restaurante transferiu-se em 1960 para a charmosa Avenida Vieira de Carvalho.

Uma nova etapa começou em 1978, quando Gianni passou o comando para seu amigo Antônio Carlos Marino, filho de italianos e apaixonado pela cozinha mediterrânea. 

Hoje, administram o restaurante a esposa de Antonio, Rosana, e seus filhos, Bruno e Bianca Marino, ambos formados em Gastronomia.

A história do Carlino enfrentou desafios: entre 2002 e 2005, a casa interrompeu suas atividades devido aos problemas gerados pela decadência do centro de São Paulo. No entanto, a família optou por retomar as atividades.

Atualmente, localizado à Rua Epitácio Pessoa, uma travessa da Av. Ipiranga, o Carlino não oferece apenas pratos clássicos; ele serve memória e tradição. 

Os proprietários, reverenciam todas as gerações que cuidaram da casa desde o século XIX, usando o termo "a gente" para se referir aos pioneiros, reforçando um compromisso inabalável com a história da gastronomia paulistana e o amor pela culinária italiana.

Sempre que possível, o nosso roteiro de almoço nos leva de volta ao Centro de São Paulo. Em uma dessas visitas recentes, estivemos no Carlino, onde a tradição e a simpatia permanecem como pilares fundamentais da casa.

Como já ocorreu em outras ocasiões, tivemos o prazer de degustar as maravilhas da legítima cozinha italiana, experiência esta que se torna ainda mais especial graças ao atendimento impecável e ao bom humor contagiante de toda a equipe.

Experimente as delícias do Carlino e faça parte dessa história de amor pela cozinha italiana!


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quinta-feira, 16 de abril de 2026

PLAYCENTER: UM MUNDO ENCANTADO

 

Assista em https://youtu.be/NObLFVwpMAU?si=McWwWTvRYn-0zWzT o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 



Em 1973, São Paulo vivia tempos mais tranquilos, o tempo parecia caminhar com suavidade e as descobertas tinham um encanto especial. Foi nesse cenário que, em uma sexta-feira, 27 de julho, nasceu na Barra Funda um lugar destinado a marcar gerações: o Playcenter. 


A história, no entanto, começara um pouco antes. Em 1971, o empresário Marcelo Gutglas trouxe ao Brasil os Fliperamas, que eram máquinas de jogos eletrônicos, uma novidade que logo conquistou crianças e adultos com suas luzes e sons envolventes.


O sucesso levou a algo maior e ele veio com a inauguração do Playcenter, que rapidamente se tornou um universo de alegria.


Ali, cada atração guardava uma emoção: o frio na barriga da montanha-russa, o mistério do Castelo Mal Assombrado, a vista encantadora da roda-gigante. 


As excursões chegavam animadas, o “Passaporte da Alegria” era motivo de orgulho, e o carimbo no braço virava lembrança preciosa.


Entre tantas recordações, há também as mais íntimas. Nossas idas ao Playcenter eram verdadeiros encontros de família e vizinhos. Íamos em vários carros, com cerca de 10 de crianças e 4 mães.


No estacionamento, abríamos o porta-malas, estendíamos uma toalha e compartilhávamos guloseimas preparadas com carinho. 


As crianças entravam no Parque bem alimentadas, usando bonés de cores vivas que nos permitiam identificá-las lá do alto da roda-gigante.


Combinávamos pontos de encontro e, ao final do dia, reuníamo-nos novamente para um último lanche.


Voltávamos para casa cansados, mas profundamente felizes. E assim, entre risos e memórias, o Playcenter permanece vivo dentro de nós.


Para encerrar, um dado curioso: desde a sua inauguração até o fechamento, em 29 de julho de 2012, o parque recebeu mais de 60 milhões de visitantes, número que corresponde a pouco mais de um quarto da população brasileira na atualidade.



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sexta-feira, 10 de abril de 2026

CAIPIRINHA: DO INTERIOR PAULISTA PARA O MUNDO


Assista em https://youtu.be/uQmLqUEegJM?si=vnPZ8HnImgk9ueML
 o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A história da caipirinha está profundamente ligada à formação cultural do Brasil. No período escravocrata, a garapa — caldo de cana não fermentado — era consumida no cotidiano, enquanto a cachaça marcava presença em momentos festivos e rituais populares.

Da combinação da cachaça com frutas nasceram as “batidas”, dentre as quais a de limão, a famosa caipirinha, cujo sabor característico, deve-se à presença do suco e casca da fruta.

Existem duas principais versões sobre sua origem. De acordo com o folclorista Luís da Câmara Cascudo, a caipirinha surgiu no século XIX, no interior paulista, na região de Piracicaba, como uma bebida sofisticada apreciada por fazendeiros, substituindo destilados importados. 

Face à simplicidade de seus ingredientes, rapidamente se popularizou.

Outra versão, defendida pelo Instituto Brasileiro da Cachaça, afirma que a bebida surgiu por volta de 1918 como um remédio caseiro contra a gripe espanhola, que era preparado com limão, alho, mel e cachaça.

Com o tempo, a receita foi sendo aperfeiçoada até alcançar a forma atual.

Na década de 1920, durante o Movimento Modernista, a cultura brasileira valorizou-se, e a cachaça passou a ser vista com novos olhos. 

A artista Tarsila do Amaral ajudou a difundir a bebida em encontros culturais na Europa.

Hoje, a caipirinha, feita com cachaça, limão, açúcar e gelo, é um dos maiores símbolos do Brasil, reconhecida e apreciada internacionalmente.


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terça-feira, 7 de abril de 2026

ELETRICIDADE: DO SÉCULO DA DESCOBERTA À ERA DA OBSOLESCÊNCIA

Assista em https://youtu.be/xGkKNLy25Hw?si=nogGmmmLN-qCEpBe  o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


A história da eletricidade revela um contraste impressionante entre o tempo necessário para sua compreensão e a velocidade com que seus desdobramentos tecnológicos passaram a ocorrer. 

Durante séculos, a eletricidade foi apenas um fenômeno curioso, observado desde a Antiguidade, mas sem aplicação prática. 

Foi somente entre os séculos XVIII e XIX que cientistas como Benjamin Franklin, Michael Faraday e James Clerk Maxwell conseguiram compreender seus princípios fundamentais. 

O processo para que a eletricidade fosse aplicada de forma ampla levou centenas de anos; somente no final do século XIX foi concretizado.

A partir desse marco, o ritmo da inovação acelerou de maneira extraordinária. Em pouco mais de um século, passamos da lâmpada incandescente aos dispositivos inteligentes conectados à internet. 

O tempo que antes era medido em séculos passou a ser contado em décadas e, mais recentemente, em poucos anos.

Um exemplo emblemático dessa aceleração é o videocassete, ou VHS. Lançado na década de 1970, ele revolucionou a forma de consumir filmes, permitindo gravar e assistir conteúdos em casa.

No entanto, sua popularidade durou pouco mais de duas décadas. Já no final dos anos 1990, começou a ser substituído pelo DVD, que oferecia melhor qualidade de imagem e som. 

Pouco depois, o próprio DVD perdeu espaço para o streaming digital, eliminando a necessidade de mídias físicas.

Esse contraste evidencia uma mudança profunda: enquanto o conhecimento científico exigiu séculos de construção, a tecnologia contemporânea se desenvolve em ciclos cada vez mais curtos.

Hoje, produtos são criados, popularizados e substituídos em um intervalo mínimo, impulsionados pela inovação contínua e pela demanda por conveniência e eficiência.

Assim, a eletricidade, que levou tanto tempo para ser compreendida, tornou-se a base de um mundo em constante renovação — onde a permanência é rara e a mudança, inevitável.


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terça-feira, 31 de março de 2026

FLEMING E A PENICILINA: O ACASO QUE DERROTOU A MORTE

Assista em https://youtu.be/1_j6tf2YbM4?si=LvDVKKwzPYJiw-Fv  o video
 completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Alexander Fleming nasceu em 1881, na Escócia, e tornou-se um dos nomes mais importantes da medicina moderna.

Formado em medicina pela Universidade de Londres, iniciou sua carreira como microbiologista no Hospital St. Mary's, onde passou a estudar substâncias capazes de combater bactérias sem prejudicar o corpo humano.

Durante a Primeira Guerra Mundial, atuou como médico nas frentes de batalha e foi profundamente impactado pela morte de soldados por infecções graves. Essa experiência o motivou a buscar soluções mais eficazes contra microrganismos.

Nos anos 1920, Fleming realizou duas descobertas importantes. A primeira foi a lisozima, uma substância natural com ação antibacteriana.

A segunda, e mais revolucionária, ocorreu em 1928, quando observou por acaso que um fungo havia contaminado uma cultura de bactérias e impedido seu crescimento. Esse fungo, chamado Penicillium notatum, deu origem à penicilina, o primeiro antibiótico da história.

Apesar da importância da descoberta, Fleming enfrentou dificuldades para transformá-la em medicamento.

Somente anos depois, cientistas como Howard Florey e Ernst Boris Chain conseguiram purificar e produzir a penicilina em larga escala, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial.

O impacto foi enorme: doenças antes fatais passaram a ter tratamento, salvando milhões de vidas e inaugurando a chamada “era dos antibióticos”. Em 1945, Fleming, Florey e Chain receberam o Prêmio Nobel de Medicina.

Fleming morreu em 1955, reconhecido como um herói. Sua descoberta transformou profundamente a medicina e mostrou como a observação atenta e a curiosidade podem mudar o rumo da história. 

A matéria já está publicada no portal da Radio Shiga, Japão: https://www.wp.radioshiga.com/2026/04/fleming-e-a-penicilina-o-acaso-de-que-derrotou-a-morte/


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sexta-feira, 27 de março de 2026

CASABLANCA: UM AMOR EM TEMPOS DE GUERRA

Assista em https://youtu.be/NdlULjXSswA?si=R0QqDoQoT769LNKT o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Lançado em 1942, o filme Casablanca, dirigido por Michael Curtiz, que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial apresenta uma das mais marcantes histórias de amor impossível do cinema. Em meio ao caos político e à opressão nazista, nasce e resiste um sentimento que a guerra insiste em sufocar.

A trama se passa em Casablanca, Marrocos, ponto de passagem para refugiados que tentavam escapar da Europa ocupada pelos nazistas.

Nesse ambiente vive Rick Blaine, interpretado por Humphrey Bogart, dono do Café Americain. Cético e aparentemente indiferente à guerra, Rick carrega em silêncio as marcas de um amor interrompido.

Seu passado ressurge quando Ilsa Lund, vivida por Ingrid Bergman, entra em seu café acompanhada do marido, Victor Laszlo, um líder da resistência, que fugia dos nazistas. 

A presença dela reabre uma ferida jamais cicatrizada no coração de Rick: o romance vivido por ele e Ilsa em Paris foi abruptamente interrompido pela invasão alemã.

O amor entre eles é um amor proibido, não apenas pelas circunstâncias pessoais, mas pela própria guerra, que impõe escolhas cruéis. Ilsa está agora ligada a uma causa maior, ao lado de seu marido Laszlo, interpretado por Paul Henreid. Rick, por sua vez, é forçado a sufocar seus sentimentos e reconhecer que, naquele mundo devastado, amar também pode significar renunciar.

A canção “As Time Goes By”, tema do filme, tocada pelo pianista do Café, Sam, ecoa como símbolo desse amor que o tempo não apaga, mas que a realidade impede de se concretizar. Cada nota carrega a nostalgia de um passado perdido e a dor de um presente impossível.

No desfecho, o sacrifício se impõe como a mais alta forma de amor. Rick escolhe ajudar Ilsa e seu marido a fugir, abrindo mão da própria felicidade em nome de algo maior. Assim, Casablanca eterniza a ideia de que, o amor verdadeiro nem sempre se concretiza, mas se revela, com intensidade, na renúncia.


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domingo, 22 de março de 2026

BERTHA LUTZ: A FORÇA DA CIÊNCIA E A VOZ DA CIDADANIA

Assista em  https://youtu.be/-PiT9c8oVTM? o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Bertha Maria Júlia Lutz (1894–1976) foi uma das figuras centrais na construção do Brasil moderno e na consolidação dos direitos das mulheres.

Sua trajetória permite compreender como muitas conquistas femininas atuais tiveram origem em lutas travadas no início do século XX; apesar dos avanços, a desigualdade ainda persiste.

Nascida no Rio de Janeiro, filha de Adolfo Lutz, Bertha recebeu uma formação intelectual sólida e graduou-se em Ciências na Sorbonne, em Paris, onde entrou em contato com o pensamento feminista.

Ao retornar ao Brasil, em 1918, iniciou sua carreira científica no Instituto Oswaldo Cruz e, posteriormente, no Museu Nacional, tornando-se referência internacional no estudo de anfíbios.

Desde cedo, enfrentou barreiras institucionais: foi a segunda mulher a prestar concurso público no país, após intensa disputa para ter sua inscrição aceita.

Sua experiência no meio científico já revelava as barreiras enfrentadas pelas mulheres para acesso aos espaços de prestígio, realidade que ainda hoje se reflete na sub-representação das mulheres.

Convencida de que ciência, educação e política eram instrumentos de transformação social, Bertha ampliou sua atuação para além dos laboratórios.

Em 1922, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, assumindo a liderança do movimento sufragista no Brasil. Seu empenho foi decisivo para a concessão do direito de voto às mulheres, garantido em 1932, marco fundamental da cidadania.

Em 1936, tornou-se a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde defendeu direitos trabalhistas, proteção à maternidade, igualdade legal e acesso das mulheres à educação.

Essas pautas permanecem atuais, especialmente diante de dados que indicam que a sobrecarga com afazeres domésticos ainda limita a participação feminina no mercado de trabalho e que a desigualdade salarial persiste, com mulheres recebendo, em média, menos que os homens.

O golpe de 1937 interrompeu sua atuação parlamentar, mas não impediu que continuasse lutando por seus ideais.

Em 1945, Bertha integrou a delegação brasileira na Conferência de San Francisco, contribuindo para a inclusão do princípio da igualdade de gênero na Carta da ONU.

Hoje, quando mulheres ainda enfrentam desigualdades em função de gênero, raça e classe social, a herança de Bertha Lutz permanece atual.

Sua história lembra que direitos não são concessões, mas conquistas permanentes, que exigem vigilância, ação coletiva e compromisso contínuo com um futuro mais justo e inclusivo.


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quinta-feira, 12 de março de 2026

A GRANDE MURALHA DA CHINA

Assista em
 o video https://youtu.be/XfmRSY9eMaw?si=S_aYn7-3NEj6vwYf  completo  produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A Grande Muralha da China é um vasto sistema de fortificações construído ao longo das fronteiras setentrionais da China antiga.

Seu objetivo principal era proteger o território contra incursões de povos nômades, além de controlar rotas comerciais e fluxos migratórios.

Muralhas isoladas construídas no século VII a.C., foram posteriormente unificadas durante a dinastia Qin, após 221 a.C., por iniciativa do imperador Qin Shihuang.

Ao longo dos séculos, diversas dinastias ampliaram e aperfeiçoaram a obra, destacando-se a dinastia Ming (1368–1644), responsável pelos trechos mais preservados.

Mais do que uma barreira militar, a muralha funcionou como corredor de transporte e sistema de vigilância.

Contava com torres de observação, quartéis, fortalezas e mecanismos de sinalização por fumaça e fogo, que permitiam comunicação rápida em caso de ameaça. 

Sua extensão total alcança cerca de 21 mil quilômetros, formando um arco que vai do leste da China até regiões desérticas do oeste, atravessando montanhas e planícies.

A construção mobilizou centenas de milhares de trabalhadores, entre soldados, camponeses e prisioneiros, em condições frequentemente severas.

Apesar de sua grandiosidade, a muralha não impediu completamente invasões ao longo da história. 

Com o declínio de sua função estratégica, partes significativas da estrutura foram sendo abandonadas.

No século XX, o monumento passou a ser valorizado como símbolo nacional e patrimônio cultural. 

Em 1987, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO e, em 2007, eleita uma das novas sete maravilhas do mundo.

Atualmente, é considerada uma das mais impressionantes realizações arquitetônicas da humanidade, testemunho da engenhosidade e da perseverança do povo chinês.

Em 2010, meu marido e eu estivemos lá com nossos amigos canadenses, Bob e Claire Brodie. 

Posso confirmar: a grandeza daquele lugar faz qualquer um se sentir uma formiguinha e o condicionamento físico se esvair logo no primeiro quilômetro de caminhada sobre a muralha.

É de cair o queixo!


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Link da publicação no portal da Radio Shiga, japão: https://www.wp.radioshiga.com/2026/03/a-grande-muralha-da-china/

terça-feira, 3 de março de 2026

BIOTÔNICO FONTOURA: O FORTIFICANTE QUE JÁ FOI “ESPIRITUOSO”, LITERALMENTE!!!!

Assista em https://youtu.be/KZLXzqxwxkk?si=cwh2OBdWpetBeXbL
 o video completo, e em https://youtube.com/shorts/qLZyB9cGqLQ?si=f0DTu_HkVsnQRGhD a forma reduzida, ambos produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Criado em 1910 pelo farmacêutico Cândido Fontoura para fortalecer a esposa debilitada, o Biotônico Fontoura nasceu com vocação doméstica e acabou virando patrimônio afetivo nacional, até hoje firme e forte, como prometia deixar seus consumidores ao ser lançado.

Com o slogan “Ferro para o sangue e fósforo para os músculos e nervos” e o jingle inesquecível (“Bê, á, bá, … Biotônico Fontoura!”), entrou de vez na rotina das famílias brasileiras.

O nome foi sugestão de Monteiro Lobato, amigo de Fontoura e colega no jornal O Estado de S. Paulo. 

Conta-se que Lobato, cansado, tomou o tônico e se sentiu revigorado e inspirado para criar o personagem Jeca Tatuzinho do Almanaque Fontoura.

O Almanaque era uma publicação promocional que ultrapassou a propaganda e virou fenômeno editorial. 

Distribuído gratuitamente por décadas em farmácias e consultórios, trazia histórias, passatempos, conselhos de saúde e textos educativos.

Funcionava quase como uma pequena enciclopédia doméstica, misturando educação com estratégia publicitária; as imagens que ilustram esta postagem são de edições do Almanaque.

Seu personagem mais famoso era Jeca Tatuzinho, que aparecia fraco por causa da ancilostomose, mais conhecida como amarelão, mas, após tratamento e uma ajudinha do Biotônico, tornava-se saudável, trabalhador e rico.

Há ainda o detalhe “espirituoso”, o ingrediente secreto: até 2001, a fórmula continha 9,5% de álcool etílico. 

Sim, o fortificante era animado; tanto que durante a Lei Seca nos EUA, foi exportado como medicamento e consumido legalmente. 

Alguns defendem que o vigor vinha do ferro; outros desconfiam do empurrãozinho etílico.

Em 2001, a Anvisa proibiu álcool em tônicos infantis e a fórmula mudou, assim como a embalagem, modernizada em 2017.

E aqui vai um episódio pessoal: em 2003, quando cursava o terceiro ano de Letras, levei o maior vidro de Biotônico que consegui comprar, para brindar com os colegas, após um seminário sobre Lobato. 

Ninguém gostou; sem os 9,5% do “ingrediente secreto”, o sabor já não agradava.

Conclusão: concordo que criança não deve ingerir álcool, mas que o sabor de infância mudou, ah, isso mudou. 


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