quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ALPARGATAS RODA: O CALÇADO "RAIZ"

Assista em https://youtu.be/0lx9gvbHjZ8?si=ZNY6nObCi91foene  o video completo e em https://youtube.com/shorts/iklm-9iefJo?si=pg_GPAK3RkEKT5RC a versão reduzida, ambos produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Antes que a moda inventasse o “casual chic” e os tênis prometessem performance digna de atleta olímpico para ir à padaria, o Brasil já caminhava firme e confortável  com as Alpargatas Roda. 

Mais do que um simples calçado, elas são um capítulo bem costurado da história industrial e cultural brasileira, símbolo de uma época em que simplicidade e durabilidade valiam mais do que slogans em inglês.

Produzidas pela então São Paulo Alpargatas, as Roda ganharam espaço a partir de meados do século XX. 

O design não fazia rodeios: lona resistente, cores discretas como azul-marinho, preto ou marrom e um solado que começou em corda e depois ganhou a robustez da borracha. 

Nada de firulas. Era calçar e sair andando, de preferência por muitos anos.

O sucesso vinha da versatilidade. As Alpargatas Roda serviam para o trabalho pesado, o lazer de domingo, a ida à escola e, em muitos casos, para tudo isso no mesmo dia. 

Enquanto os sapatos de couro apertavam, eram caros e exigiam paciência, as Roda respeitavam o pé brasileiro e o clima tropical, permitindo ventilação e liberdade de movimento. 

Eram, sem exagero, o “pau para toda obra” dos calçados.

Com o avanço do tempo, chegaram os tênis cheios de tecnologia e as sandálias de borracha que dominaram o mercado. 

Aos poucos, as Roda foram saindo de cena, até se tornarem raridade. O que antes era comum virou objeto de coleção e memória afetiva, junto com o cheiro da lona nova e a fama de durar uma eternidade.

Hoje, o design da alpargata vive um revival global. 

Mas quem conheceu as Alpargatas Roda sabe que nenhuma releitura moderna substitui a autenticidade de um calçado que atravessou o Brasil passo a passo, sem pressa e sem frescura.


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sábado, 7 de fevereiro de 2026

HILDEGARDA DE BINGEN E A CERVEJA

Assista em https://youtu.be/Hqckdwq-GkI?si=25zU7_NRswO8b5YL o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Santa Hildegarda de Bingen (1098–1179), foi uma das personalidades mais notáveis do século XII europeu.

Nascida na Alemanha, ingressou ainda jovem na vida monástica beneditina, vivendo em um mosteiro às margens do rio Reno.

Em uma época marcada por severas limitações ao protagonismo feminino, destacou-se como religiosa, teóloga e escritora, conquistando o respeito de autoridades religiosas e políticas, passando a ser reconhecida como conselheira e referência espiritual.

Além de sua atuação religiosa, Hildegarda foi uma estudiosa da natureza. Suas pesquisas nas áreas de botânica e medicina foram reunidas na obra Physica, na qual registrou, de forma pioneira, o uso do lúpulo como conservante e aromatizante da cerveja, apontando também suas propriedades medicinais e calmantes.

Physica foi o primeiro livro de história natural escrito na Alemanha, no qual além das propriedades do lúpulo, Hildegarda discutia também as virtudes terapêuticas de outras plantas, animais e metais.

Essa contribuição foi fundamental para a transição da primitiva cerveja para a cerveja moderna, motivo pelo qual é considerada a “padroeira do lúpulo” e lembrada no meio cervejeiro.

Hildegarda também foi compositora, poetisa e médica, deixando vasta produção artística e intelectual.

Faleceu em 17 de setembro de 1179.

Em 2012, foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI, consolidando sua atuação como elemento de ligação entre fé, ciência e cultura.

Como curiosidade, em nossa visita ao Museu da Cerveja, em Blumenau, Santa Catarina, tivemos a grata satisfação de observar uma fotografia de Hildegarda em lugar de destaque, onde é mencionada como a Padroeira do Lúpulo.


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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

ESTRELA: A HISTÓRIA DA INFÂNCIA BRASILEIRA EM FORMA DE BRINQUEDO



Assista em https://www.youtube.com/watch?v=Dr9c8jpEltg o video completo e em https://youtube.com/shorts/MS-esdB0hQQ?si=4S-xd734pOrjwS4_  a versão reduzida, ambos produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Quando lembramos da infância no Brasil, é quase impossível não associar essa memória à Estrela. 

Fundada em 1937, em São Paulo, por Siegfried Adler, a empresa nasceu de forma simples, produzindo bonecas de pano e carrinhos de madeira de maneira quase artesanal.

O que começou como um pequeno negócio familiar cresceu junto com o país e se transformou em uma das maiores indústrias de brinquedos da América Latina.

A Estrela acompanhou de perto as transformações da sociedade brasileira. 

Nas décadas de 1950 e 1960, passou a fabricar brinquedos de plástico e metal, refletindo os avanços tecnológicos da época.

Foi nesse período que surgiram personagens que marcaram gerações, como as bonecas Beijoca e Amiguinha, presenças constantes nas brincadeiras e no imaginário infantil, especialmente entre as meninas.

Em 1966, a empresa lançou a boneca Susi, que se tornou um verdadeiro ícone cultural, simbolizando moda, comportamento e sonhos.

Vieram ainda sucessos inesquecíveis como o Autorama, que levava a emoção das corridas para dentro de casa e jogos de tabuleiro como o Banco Imobiliário, capazes de reunir famílias inteiras ao redor da mesa.

Nos anos seguintes, brinquedos como o Falcon e os carrinhos rádio controlados reforçaram a relação afetiva entre diferentes gerações.

Ao longo do tempo, a Estrela enfrentou desafios como a concorrência internacional e a chegada dos brinquedos eletrônicos, mas soube se reinventar, apostando tanto na inovação quanto na nostalgia.

Hoje, com várias fábricas e um portfólio diversificado, a Estrela segue fiel ao seu propósito: estimular a imaginação, a criatividade e o convívio.

Sua história é, no fundo, a própria história da infância brasileira, feita de brincadeiras, afeto e lembranças que atravessam gerações.


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sábado, 24 de janeiro de 2026

MEMÓRIA E SAUDADE: 70 ANOS DA PARTIDA DA AVÓ ASSUMPTA

Hoje recordamos os 70 anos de partida da minha avó, Assumpta Elvira Possatto Panssonatto, mãe de meu pai, Arlindo Panssonatto. 


Nascida em 1901, ela foi a base de uma família de oito filhos ao lado do meu avô, José Panssonatto.

Mulher de fibra, não media esforços para o bem estar da família.


Em Rafard (que na época pertencia a Capivari), enfrentou tempos difíceis até que, em 1945, a família buscou novos horizontes em Jundiaí.

Meu pai e meu avô encontraram trabalho na Companhia Mecânica e Importadora São Paulo, empresa que mais tarde faria parte da história da Sifco do Brasil.

A vida na chácara da Companhia trouxe fartura e trabalho: entre plantações e criações, minha avó ainda encontrava tempo para lavar roupas para fora.

Meu pai sempre dizia que ninguém deixava as roupas tão alvas quanto ela.

Na cozinha, era mestre; o talento para os doces, especialmente os suspiros que eu tanto gostava, foi uma herança que deixou para o meu pai.

Embora o destino a tenha levado em 24 de janeiro de 1956, quando ela tinha 54 anos, sua força e seu tempero permanecem vivos em nossas histórias.

Que hoje possamos elevar uma prece por sua alma. 🙏🙏

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

MELISSINHA: O CALÇADO QUE MARCOU ÉPOCA

 
Assista em https://youtu.be/9ZCzixLzxL4?si=0qOpsw7vQvc5HYom  o video completo e em https://youtube.com/shorts/qEt2GU6Hrg4?si=vtQ2WABu0VrOtPlQ a versão reduzida, ambos produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Se você foi mãe de uma menina no final na década de 1970, como eu fui, com certeza guarda no coração e no olfato a memória afetiva mais doce daquela época: o cheirinho inconfundível de chiclete que exalava das caixas das sandálias Melissinha! 

Falar da Melissinha é abrir um baú de recordações coloridas e nostalgia.

​Lançada pela Grendene em 1984, essa sandália de plástico não era apenas um calçado; era o passaporte para um mundo de magia.

Quem não se lembra do brilho nos olhos das pequenas ao verem os comerciais na TV?

O sucesso era tanto que dez em cada dez garotas sonhavam com o seu par. E não era para menos!

A Melissinha vinha sempre com um "plus" que fazia a alegria da criançada: as famosas pochetezinhas, os reloginhos coloridos ou aqueles estojos encantadores.

​A marca dominou os anos 80 com criatividade. Em 1986, foram 13 milhões de pares vendidos, transformando as ruas em um verdadeiro desfile de moda infantil.

​Mais do que um calçado, a Melissinha foi um símbolo que uniu gerações através do design e do lúdico.

Relembrar esses tempos é celebrar uma infância vibrante, cheia de acessórios divertidos e aquele plástico brilhante que, até hoje, nos faz viajar no tempo com um sorriso no rosto.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO 2025

 


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A palavra que resume este 3º Domingo do Advento é ALEGRIA, pois se aproxima o dia da vinda do Senhor! ✨

A emoção foi ainda maior com a belíssima apresentação do Coral Nossa Senhora Aparecida que trouxe beleza a nossa Santa Missa de Domingo.

Alegremo-nos no Senhor e continuemos essa caminhada de conversão à espera do menino Deus que se aproxima!


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

NATAL: TEMPO DE PAZ, RENOVAÇÃO E AMOR



Assista em https://youtu.be/DCzUHaiNSyA?si=zvDHNxY3ONpthano o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Com as festas se aproximando e mais um ano chegando ao fim, somos convidados a refletir sobre o verdadeiro espírito do Natal, que vai muito além das luzes coloridas, dos presentes e das mesas fartas. 

Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador, que se fez homem para restaurar corações, renovar esperanças e conduzir a humanidade pelo caminho da paz e da reconciliação.

A verdadeira grandeza está na humildade, na partilha e nos gestos de bondade que cultivamos ao longo dos dias.

Que neste Natal haja paz, harmonia e o verdadeiro amor, que salva e transforma.

A todos os amigos da Educa Web Radio e suas famílias, desejamos um Feliz Natal e um Ano Novo renovado, com paz, serenidade e novas oportunidades de crescer na fé e no bem.


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A VOLTA AO MUNDO EM UM SÓ JANTAR

Assista em
https://youtu.be/i1UQo8XFcwA?si=1-jhfsv3dYJuvG0O o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Temos recentemente ouvido falar muito em “guerra de culturas”, na “superioridade da cultura ou etnia x sobre a y” e outras “pérolas” do mesmo calibre.

Mas basta um olhar atento - e um pouco de sensibilidade - para perceber que a convivência entre diferentes tradições enriquece a vida de todos. 

Vivemos há algum tempo uma pequena experiência que ilustra bem essa harmonia inesperada.

Certa noite, após uma conversa animada com estudantes em Maringá, seguimos, cansados e famintos, para um restaurante chamado “Restaurante e Pizzaria Napoli”. 

Já imaginávamos o sabor de um jantar italiano, mas fomos surpreendidos logo de início. 

A casa, com seu toldo sobre a calçada, arandelas fora de moda e garrafas alinhadas em prateleiras, evocava aquele estilo carinhosamente conhecido como “Português Contemporâneo”. 

Mal sentamos, pedimos uma cervejinha, pois a conversa fora longa – não sei se era a sede, mas a “loura” estava simplesmente deliciosa, gelada no ponto certo. 

Ao abrirmos o cardápio, outra surpresa:  poucas pizzas, mas sushi e sashimi. 

O mosaico cultural se completava: ambiente luso, nome italiano, bebida alemã e culinária japonesa. 

Optamos por um filé inspirado na cozinha oriental, "Teppanyaki",  de que nunca havíamos ouvido falar.

Tratava-se de filé grelhado, servido numa espécie de caldeirão baixo de ferro fundido, acompanhado por verduras e legumes refogados, batatas fritas, arroz e, por incrível que pareça, bacon!

Confirmando o que dissemos no início: o “mix” de culturas e etnias produziu um ótimo resultado, ainda mais porque compuseram esse “mix” a simpatia e o carinho paranaenses com que o jantar foi preparado e servido.

Não sabemos se o Napoli ainda existe, se mantém o mesmo cardápio, o mesmo layout etc, mas a feliz experiência ficará para sempre em nossa memória.


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sábado, 6 de dezembro de 2025

BELFAGOR, O ARQUIDIABO

Assista em https://youtu.be/nPYn67fbCDo?si=qpPQCLoScEMNFpcn  o vídeo completo e em https://www.youtube.com/shorts/G-PkOMLrN-k a versão reduzida, produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Falaremos hoje de Maquiavel, um tema diferente de tudo o que já falamos até o momento.

Maquiavel viveu entre 1469 e 1527, tendo ficado célebre por seus escritos acerca de política.

No entanto, produziu um conto satírico "Belfagor, o Arquidiabo", que narra uma experiência realizada no Inferno para descobrir por que razão quase todos os homens que ali chegavam atribuíam sua perdição ao fato de terem se casado.

​Maquiavel nos conta como, preocupado com o assunto, o Demônio e seus assessores diretos, os arquidiabos, decidem enviar um deles à Terra, sob a forma de um homem muito rico e bonito, para casar-se e viver aqui durante dez anos, tentando esclarecer o assunto.

Houve um sorteio e o enviado foi o arquidiabo Belfagor, que assume a identidade de Rodrigo de Castela, em Florença, na Itália.

Enquanto na Terra, Belfagor não teria qualquer poder extraordinário, viveria como um ser humano.

​Rodrigo casa-se com uma jovem nobre e muito bonita, mas pobre, chamada Onesta, mas logo descobre que a beleza dela é ofuscada por sua vaidade, gosto pelo luxo e temperamento tirânico.

Onesta gasta a fortuna de Rodrigo em futilidades e apoio à sua família, que desperdiça todo o dinheiro.

Rodrigo acaba falindo e para não ser preso por dívidas, foge, ocultando-se sob um monte de esterco, de onde é retirado por um camponês, que acaba ocultando-o até terminar o prazo de dez anos, quando Belfagor volta ao inferno.

​Ali chegando diz ao Demônio e aos seus pares que as alegações dos homens eram verdadeiras: o casamento é, de fato, a pior das penas, sendo as mulheres muito mais assustadoras que o próprio Diabo.

​O conto é uma crítica mordaz e bem-humorada às agruras da vida conjugal e um espelho satírico da sociedade, onde a vaidade, o materialismo e a tirania de alguns transformam a vida na Terra numa experiência infernal, até mesmo para um arquidiabo.


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domingo, 23 de novembro de 2025

BAUDUCCO: PANETTONE, CHOCOTONE E TRADIÇÃO


Assista em https://youtu.be/2Wr8USOwlUg?si=pk-F9wwiSmcT6MCO o video completo  produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:



A história da Bauducco começa muito antes da marca existir. 

Ela tem início em Turim, com Carlo Bauducco, um italiano apaixonado por sabores artesanais.

Em 1948, Carlo chega ao Brasil para resolver um negócio envolvendo máquinas de pão, mas encontra algo maior: uma comunidade italiana numerosa e a percepção de que o panettone era pouco conhecido.

De volta à Itália, decide mudar de vida; em 1950 retorna definitivamente ao Brasil com a esposa, o filho Luigi e um pedaço de massa madre, a “mãe de todos os panettones”, que ainda hoje é preservada pela empresa.

Em 1952, após o fim da lei que obrigava estrangeiros a terem sócios brasileiros, Carlo inaugura a Doceria Bauducco no Brás, em São Paulo. 

Ali nascem os primeiros panettones brasileiros feitos com tradição italiana. 

A loja cresce rapidamente, impulsionada por uma ação ousada: Carlo distribui panfletos de avião e vende todo o estoque em apenas três dias.

O grande salto ocorre em 1962, com a abertura da primeira fábrica em Guarulhos.

Na década de 1970. Massimo Bauducco, neto de Carlo, criou o Chocotone. A ideia foi substituir frutas cristalizadas por gotas de chocolate. 

A inovação conquistou novos consumidores, tornou-se um sucesso imediato. 

Hoje, “Chocotone” é marca registrada da Bauducco, exclusiva da empresa.

Carlo Bauducco falece em 1972, mas sua história continua viva: uma tradição natalina que atravessou o oceano e conquistou o país.

Hoje, além do panettone e do Chocotone, a marca produz biscoitos, wafers, bolos, torradas e diversas linhas especiais que seguem o mesmo padrão de qualidade. 

Cada produto carrega a história de uma família que transformou um pedaço de massa em símbolo de sabor, afeto e celebração.


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sábado, 22 de novembro de 2025

CHANEL Nº5: PERFUME QUE TRADUZ ELEGÂNCIA E LIBERDADE

Assista em https://youtu.be/-rwVCczBSQ0?si=Zgmv2W4h16amJnfz o vídeo completo e em https://youtube.com/shorts/26eJSRG9cyY?si=O7v41sVFmnt24T9M  a versão reduzida,  produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Quando Coco Chanel pediu à sua equipe que desenvolvesse um perfume que cheirasse a mulher, e não a rosa, deflagrou uma revolução silenciosa. 

Nos anos 1920, o luxo em perfumes era um espetáculo de excessos: frascos em cristal, tampas douradas, aromas adocicados etc.

Chanel, no entanto, quis romper com a fantasia e criar algo real. Encomendou à sua equipe de perfumistas uma fragrância que não imitasse flores e nem frutas, mas traduzisse a essência feminina: livre, sofisticada e única.

A inovação começou com o frasco: simples, retangular, transparente. Uma proposta que virou manifesto. 

Segundo Chanel, “A essência é o luxo.” O mundo da perfumaria ficou chocado, mas Chanel não vendia ostentação, vendia percepção.

Em vez de publicidade, ela promoveu um jantar para lançar o produto, deixando o perfume falar por si. Em pouco tempo, Paris inteira comentava sobre o misterioso aroma.

Assim nasceu o Chanel N°5, símbolo de elegância e liberdade.

Décadas depois, Marilyn Monroe eternizou o mito ao responder o que vestia para dormir: “Apenas algumas gotas de Chanel N°5.”

Para os apaixonados pelo Chanel N°5, uma informação: um vidro, aqui no Brasil, custa em torno de R$ 1300,00.


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terça-feira, 11 de novembro de 2025

FIGOS RAMY CICA: DOCE LEMBRANÇA DE UMA ÉPOCA INESQUECÍVEL

Assista em https://www.youtube.com/watch?v=HG-o71jQeu0 o vídeo completo e em a versão reduzida, https://www.youtube.com/shorts/P7So1Iw-SrQ  produzidos para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Os Figos Ramy, produzidos pela CICA desde 1945, tornaram-se um doce querido pelos brasileiros até deixados de serem fabricados em 1986.

Eram figos roxos maduros e firmes, transformados em passas carnudas, mergulhadas em calda espessa, vendidos em latas de 600 gramas.

Produzidos apenas entre janeiro e março, chegaram a 300 mil latas anuais. Degustavam-se puros ou com creme de leite,  sorvete etc. 

O pintor Di Cavalcanti, nos anos 1960, servia os figos com fatias de laranja para “quebrar a doçura”.

O nome “Ramy” veio de Vila Rami, bairro de Jundiaí onde havia uma fazenda com figueiras e cultivo de rami.

O fundador da CICA, o siciliano Antonino Messina, encantou-se com os figos secos preparados por um funcionário da fazenda, Carlo, e decidiu industrializá-los com a ajuda de um confeiteiro italiano, Magnani.

O trio criou um processo demorado e artesanal, que resultava em um doce de sabor inigualável, exportado até para a Escandinávia. 

Segundo Salvador Messina Neto, último vice-presidente da CICA, o doce deixou de ser produzido por causa do alto custo.

Hoje, há inúmeras cópias do Figo Ramy, mas que não conseguem se igualar ao original.

Com um toque de nostalgia, pode-se dizer que, quem provou, levou consigo o sabor de um tempo que não volta; quem não provou, perdeu o doce segredo que o tempo guardou.


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FARENHEIT 451: O FOGO DA IGNORÂNCIA

Assista em https://youtu.be/DMogjKTmObk?si=_gx5C5F_Msgejcpm o vídeo complet   produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

Publicado em 1953, Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, é uma distopia que reflete os temores e tensões da Guerra Fria: censura, vigilância estatal e manipulação ideológica.

Em meio à radicalização política e ao avanço dos meios de comunicação, o autor denuncia uma sociedade que renuncia ao pensamento crítico em troca da segurança e do entretenimento superficial.

Preocupado com o poder crescente da televisão e a perda do hábito da leitura, Bradbury constrói uma alegoria sobre o perigo da ignorância coletiva.

O protagonista, Guy Montag, é um bombeiro encarregado de queimar livros, símbolos de liberdade e reflexão. Sua trajetória, do conformismo à consciência crítica, representa a luta humana pela autonomia intelectual.

Ao descobrir o valor dos livros, Montag passa a lê-los secretamente e, perseguido, foge para o campo, onde encontra “homens-livros” exilados que decoram obras para preservá-las em um mundo onde os livros impressos são proibidos.

Ao lado deles, ele vislumbra um futuro no qual o conhecimento possa renascer, após ver sua cidade destruída por uma guerra nuclear.

A sociedade retratada vive anestesiada, incapaz de dialogar, envolta por telas e ruídos que substituem o silêncio necessário à reflexão. Assim, a fogueira que consome os livros simboliza a destruição do conhecimento e da própria humanidade.

Hoje, o alerta de Bradbury permanece atual: o “fogo” assume novas formas: desinformação, censura digital, polarização e consumo acrítico nas redes sociais.

A cultura da rapidez e da distração fragmenta o pensamento e cria uma alienação tão eficaz quanto a do Estado opressor descrito no romance.

Ao mostrar uma sociedade que se perde ao abandonar os livros e o pensamento livre, Fahrenheit 451 reafirma a leitura, a educação e a consciência crítica como pilares da verdadeira liberdade.

Como curiosidade, o título faz alusão à temperatura em que o papel queima: 451° F, que equivale a 233 °C —, metáfora do momento em que o conhecimento é destruído.


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sábado, 8 de novembro de 2025

VERA RUBIN E GRACE HOPPER: QUANDO O BRILHO DAS MULHERES MOVE O MUNDO

 


Assista  em https://youtu.be/kfZqBeT7oVM?si=uAdc5rLzoFEhhY37   o vídeo completo e em https://youtube.com/shorts/XY8tJUZYj-Q?si=4ecw2pyJfX_T4ao8 a versão reduzida, produzidos  para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A Nvidia, maior empresa do mundo em valor de mercado, fabrica chips e componentes essenciais à indústria de computadores, valendo mais de 5 trilhões de dólares.

Recentemente, seu CEO Jensen Huang apresentou ao vivo o novo superchip voltado à inteligência artificial e à computação de alto desempenho, batizado de Vera Rubin, em tributo a uma mulher que iluminou os mistérios do cosmos.

Como nos próximos tempos ouviremos falar muito desse produto, convém lembrar quem foi Vera Rubin.

Nascida em 1928, Vera Florence Cooper Rubin foi uma astrônoma brilhante, formada pelo Vassar College, tendo mestrado pela Universidade Cornell e doutorado pela Universidade de Georgetown, onde também lecionou.

Na década de 1970, ao lado de Kent Ford, revelou ao mundo a existência da matéria escura, substância que compõe cerca de 85% do universo. Essa descoberta transformou a compreensão do cosmos, ainda que não lhe tenha rendido o Nobel, lacuna amplamente lamentada.

Em vida, recebeu inúmeras honrarias, e um dos maiores observatórios do planeta, no Chile, leva seu nome.

Rubin faleceu em 2016, aos 88 anos, e é a segunda cientista homenageada pela Nvidia, após Grace Hopper, pioneira da computação.

Hopper, nascida em 1906, almirante da Marinha dos Estados Unidos, foi responsável por desenvolver as primeiras linguagens de programação, lançando as bases da era digital.

É inspirador ver que mulheres que dedicaram sua vida à ciência e à tecnologia têm, finalmente, seu valor reconhecido em criações que moldam o futuro.


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terça-feira, 28 de outubro de 2025

A REVOLUÇÃO DAS HAVAIANAS

Texto publicado em 29/10/2025  pela Radio Shiga, Japão, disponível em: https://www.wp.radioshiga.com/2025/10/a-revolucao-das-havaianas/

Ouça em https://youtu.be/F5E6W9q70qc?si=XMvORtfdIM5BCqn9  o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

Mais do que um simples chinelo de borracha, as Havaianas são praticamente um “personagem” da cultura brasileira. 

Criadas em 1962 pela São Paulo Alpargatas, foram inspiradas nas sandálias japonesas Zori, feitas de palha de arroz; daí o famoso padrão de “grãos de arroz” na palmilha. 

O primeiro modelo era azul e branco, simples e barato, o calçado oficial da classe trabalhadora. Minha mãe foi uma das primeiras a usá-las, mas jamais para sair de casa;  somente para lavar a cozinha, porque não escorregava.

O sucesso foi tanto que, nos anos 1980, as Havaianas foram parar até na cesta básica!

Isso mesmo: um produto tão essencial quanto o arroz e o feijão, com preço tabelado pelo governo. 

O slogan da época dizia tudo: “As legítimas: não deformam, não soltam as tiras e não têm cheiro.”

Mas eis que chegam os anos 1990, e o chinelo humilde ganha status. A revolução começou nos pés dos surfistas, que viravam as solas para mostrar o lado colorido — e a Alpargatas, aproveitando a ideia, lançou a linha Havaianas Top, colorida e estilosa. 

O golpe de mestre veio em 1998, com o modelo Havaianas Brasil, que trazia a bandeira nacional nas tiras, surfando o clima da Copa do Mundo. 

O time perdeu, mas o chinelo venceu: virou símbolo de moda, de brasilidade e de bom humor exportado.

Hoje, com mais de 60 anos de história e presença em mais de 100 países, as Havaianas se tornaram um símbolo de design e marketing, unindo ricos e pobres sob o lema “Todo mundo usa.”

E pra encerrar, uma história real digna de podcast: uma intercambista do Rotary Club de Jundiaí, oriunda da cidade canadense de Kamloops, Reid Brodie, apaixonada pelas sandálias, se casou em 2008 usando Havaianas e ainda distribuiu 100 pares no casamento! 

O resultado? Um verdadeiro frenezi internacional de borracha e alegria. 

Afinal, Havaianas são assim: simples, confortáveis e, acima de tudo, genuinamente brasileiras.



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terça-feira, 21 de outubro de 2025

CHIQUINHA GONZAGA, UMA MULHER À FRENTE DE SEU TEMPO


Chiquinha Gonzaga, uma mulher à frente de seu tempo

Elisabete Panssonatto Breternitz (*)

Chiquinha Gonzaga, nascida Francisca Edviges Neves Gonzaga, veio ao mundo no Rio de Janeiro em 1847 e faleceu na mesma cidade em 1935.

Pianista, compositora, instrumentista e maestrina, tornou-se uma das figuras mais marcantes da música brasileira. Foi a primeira pianista chorona, isto é, musicista de choro, gênero que se consolidava como expressão da cultura popular urbana.

Em 1899, compôs a primeira marchinha carnavalesca com letra, a célebre Ó Abre Alas, que permanece viva no imaginário coletivo. Além disso, foi pioneira ao se tornar a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, quebrando barreiras de gênero em um espaço historicamente restrito aos homens.

No cenário musical do século XIX, dominado por valsas, polcas e tangos entre as elites, Chiquinha ousou aproximar o piano das sonoridades populares, traduzindo em suas composições a diversidade cultural do país. Essa adaptação não apenas lhe trouxe reconhecimento, mas também a consolidou como a primeira compositora popular do Brasil.

Sua trajetória esteve igualmente marcada pelo ativismo: foi defensora incansável dos direitos autorais de músicos e dramaturgos, papel que a levou a fundar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, instituição que permanece como referência até hoje.

Sua história ultrapassa a música. No Passeio Público do Rio de Janeiro, uma estátua, esculpida por Honório Peçanha, perpetua sua memória. Em 2012, homenageando sua contribuição à cultura nacional, foi instituído o Dia da Música Popular Brasileira, celebrado em 17 de outubro, data de seu nascimento.

Chiquinha Gonzaga deixou um repertório vasto, que continua a encantar gerações e a inspirar artistas de diferentes épocas, entre eles nomes consagrados como Elis Regina, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Sua vida e obra são marcos da cultura, da criatividade e da luta por igualdade no universo artístico brasileiro.

(*) Elisabete P. Breternitz, especialista em Língua Inglesa pela UNESP, é professora e membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí – AFLAJ – betenitz@gmail.com


Recanto das Letras - MINHA PRIMEIRA EUCARISTIA: UM DIA INESQUECÍVEL


Texto publicado no site do Recanto das Letras.


Em 21 de outubro de 1962, fiz a minha Primeira Comunhão na Matriz da Imaculada Conceição, no bairro de Vila Arens (Jundiaí), com a condução do vigário Padre Alberto Betke.

Lembro-me com grande alegria e emoção do momento em que recebi Jesus na Hóstia Santa pela primeira vez.

O vestido de laise que usei para a ocasião foi confeccionado com carinho por minha mãe, Teresinha Panssonatto, e minha avó e Madrinha, Maria Agnolon Gobbi.

A celebração da tarde foi marcada por um lanche especial, que incluiu bolo recheado e sorvete, ambos de ameixa.

Naquele ano, 1962, vivíamos tempos difíceis com escassez de produtos básicos no comércio local. Por isso, minha mãe dirigiu-se à Venda do Sesi para conseguir um pouco de trigo, necessário para fazer o meu bolo.

Eram tempos desafiadores, mas que guardo na memória com muita felicidade.

​Em todos os momentos, renovo minha gratidão a Deus pelas inúmeras graças e bênçãos recebidas ao longo de toda a minha vida.

Agradeço por me manter firme na fé, uma herança preciosa que recebi de minhas bisavós, Marieta Gobbi e Catarina Agnolon, de minha avó e Madrinha, Maria Agnolon Gobbi, e de minha mãe.

Meu pedido a Jesus é que me conceda a graça de perseverar e aumentar a minha fé até o fim da minha vida.