Assista em https://youtu.be/-PiT9c8oVTM? o video completo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:
Bertha Maria Júlia Lutz (1894–1976) foi uma das figuras centrais na construção do Brasil moderno e na consolidação dos direitos das mulheres.
Sua trajetória permite compreender como muitas conquistas femininas atuais tiveram origem em lutas travadas no início do século XX; apesar dos avanços, a desigualdade ainda persiste.
Nascida no Rio de Janeiro, filha de Adolfo Lutz, Bertha recebeu uma formação intelectual sólida e graduou-se em Ciências na Sorbonne, em Paris, onde entrou em contato com o pensamento feminista.
Ao retornar ao Brasil, em 1918, iniciou sua carreira científica no Instituto Oswaldo Cruz e, posteriormente, no Museu Nacional, tornando-se referência internacional no estudo de anfíbios.
Desde cedo, enfrentou barreiras institucionais: foi a segunda mulher a prestar concurso público no país, após intensa disputa para ter sua inscrição aceita.
Sua experiência no meio científico já revelava as barreiras enfrentadas pelas mulheres para acesso aos espaços de prestígio, realidade que ainda hoje se reflete na sub-representação das mulheres.
Convencida de que ciência, educação e política eram instrumentos de transformação social, Bertha ampliou sua atuação para além dos laboratórios.
Em 1922, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, assumindo a liderança do movimento sufragista no Brasil. Seu empenho foi decisivo para a concessão do direito de voto às mulheres, garantido em 1932, marco fundamental da cidadania.
Em 1936, tornou-se a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde defendeu direitos trabalhistas, proteção à maternidade, igualdade legal e acesso das mulheres à educação.
Essas pautas permanecem atuais, especialmente diante de dados que indicam que a sobrecarga com afazeres domésticos ainda limita a participação feminina no mercado de trabalho e que a desigualdade salarial persiste, com mulheres recebendo, em média, menos que os homens.
O golpe de 1937 interrompeu sua atuação parlamentar, mas não impediu que continuasse lutando por seus ideais.
Em 1945, Bertha integrou a delegação brasileira na Conferência de San Francisco, contribuindo para a inclusão do princípio da igualdade de gênero na Carta da ONU.
Hoje, quando mulheres ainda enfrentam desigualdades em função de gênero, raça e classe social, a herança de Bertha Lutz permanece atual.
Sua história lembra que direitos não são concessões, mas conquistas permanentes, que exigem vigilância, ação coletiva e compromisso contínuo com um futuro mais justo e inclusivo.
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