segunda-feira, 31 de março de 2025

PÁTIO DO COLÉGIO: BERÇO DA CIDADE DE SÃO PAULO



Assista em https://youtu.be/YXd1YeK3jkA?si=F1gepO7yERtNi9Ej  o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


O Pátio do Colégio, um complexo histórico e cultural localizado no coração da cidade de São Paulo, é um marco fundamental na história do Brasil. 

Ali foi fundada a cidade de São Paulo em 25 de janeiro de 1554 pelos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta.

A história do Pátio do Colégio remonta ao século XVI, quando os padres jesuítas, enviados pela Coroa Portuguesa, chegaram à região com o objetivo de catequizar os indígenas e iniciar a colonização. A construção original, feita de taipa de pilão, serviu como escola, igreja e centro administrativo.

Ao longo dos séculos, o Pátio do Colégio desempenhou um papel importante na história do Brasil; com o passar do tempo, as construções originais sofreram deterioração e foram substituídas por novas edificações.

Atualmente, o Pátio do Colégio abriga um complexo cultural que preserva a memória do local e oferece aos visitantes a oportunidade de conhecer mais sobre a história de São Paulo e do Brasil.

O complexo é composto pelo Museu Anchieta, pela Igreja de São José de Anchieta, pela Biblioteca Padre Antonio Vieira e pelo Café do Pátio.

O Museu Anchieta reúne um acervo de objetos e documentos que contam a história do Pátio do Colégio e da presença jesuíta no Brasil.

A arquitetura da Igreja de São José de Anchieta evoca o estilo colonial e abriga relíquias do santo.

A Biblioteca Padre Antônio Vieira oferece um espaço dedicado à pesquisa e ao estudo da história do Brasil Colonial.

O Café do Pátio proporciona um ambiente agradável para os visitantes desfrutarem de um momento de descanso.

Além disso, acontecem no Pátio do Colégio diversas atividades culturais, como exposições, palestras e apresentações musicais, tornando-se um ponto de encontro para aqueles que buscam conhecimento e entretenimento.

Visitar o Pátio do Colégio é como fazer uma viagem no tempo, permitindo aos visitantes mergulharem nas origens de São Paulo e compreenderem a importância desse local para a formação da identidade brasileira. 

O complexo cultural é um testemunho vivo da história do Brasil e um lembrete da importância de preservar a memória e o patrimônio cultural do país.



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sábado, 29 de março de 2025

LICEU DE ARTES E OFÍCIOS DE SÃO PAULO: UM PILAR DA EDUCAÇÃO E CULTURA


Assista em https://www.youtube.com/watch?v=RkohY_rVofI
 o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

Fundado em 1873, o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo é uma instituição que sempre se destacou na educação profissional e na produção cultural.

Criado por aristocratas da elite cafeeira, o Liceu surgiu em um período de transformação do estado de São Paulo, impulsionado pelo crescimento da economia cafeeira e pela necessidade de mão de obra qualificada. 

Tinha por objetivo oferecer educação profissionalizante para jovens e adultos, preparando-os para o mercado de trabalho em áreas como marcenaria, serralheria, desenho e artes aplicadas.

Sob a direção do célebre engenheiro Ramos de Azevedo, a instituição se consolidou, implementando adotando uma abordagem pedagógica inovadora. 

A escola combinava o ensino teórico com a prática, oferecendo aos alunos a oportunidade de desenvolver habilidades técnicas e artísticas em oficinas e laboratórios equipados com as mais modernas ferramentas da época.

Essa metodologia, inspirada nos modelos europeus, contribuiu para a formação de profissionais altamente qualificados e para a disseminação de novas técnicas e conhecimentos.

O Liceu não se limitou a formar profissionais. A instituição também desempenhou um papel importante na promoção da cultura e das artes. 

Abrigou exposições, concertos e eventos culturais, tornando-se um ponto de encontro para artistas, intelectuais e a comunidade em geral. 

Além disso, o Liceu contribuiu para a formação de artistas e artesãos que deixaram sua marca na cidade, como o escultor Galileo Emendabili e o pintor Antonio Rocco.

Ao longo de sua história, o Liceu soube se adaptar às mudanças do mercado de trabalho e às novas demandas da sociedade. A instituição expandiu sua oferta de cursos, incorporando novas áreas de conhecimento e tecnologia. 

Atualmente, o Liceu oferece cursos técnicos em diversas áreas, como design de interiores, comunicação visual e tecnologia da informação, além de cursos de extensão e atividades culturais.

O Liceu deixou sua marca em diversos edifícios e monumentos de São Paulo, contribuindo para a construção da identidade da cidade; dentre eles estão a Pinacoteca do Estado, o Teatro Municipal de São Paulo e o Monumento às Bandeiras.

O Liceu pautou-se por princípios como o ensino gratuito e a formação profissional e humanística. No entanto, enfrenta o desafio de equilibrar a tradição com as demandas do mercado de trabalho e as novas tecnologias.

O Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo permanece como um importante centro de educação e cultura, preservando seu valor e contribuindo para o desenvolvimento da sociedade.



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ITALIANIDADE NO INTERIOR PAULISTA: JUNDIAÍ E A IMIGRAÇÃO ITALIANA E SUA HISTÓRIA DE TRANSFORMAÇÃO

 
 Familia Agnolon: ao centro Catarina e Emilio com os filhos mais novos, Francisco,  Antonia  e  Angelina    



Assista em https://www.youtube.com/watch?v=Bq5HTf3Ti70&t=74s o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A italianidade no interior paulista, com especial destaque para Jundiaí, é um capítulo vibrante e multifacetado da história da imigração no Brasil. A chegada massiva de italianos, impulsionada pela busca por melhores condições de vida e oportunidades, transformou a região, deixando um legado cultural e econômico que perdura até os dias atuais.

Em Jundiaí, a presença italiana foi marcante desde o final do século XIX, com a chegada de imigrantes que se dedicaram principalmente à agricultura, em especial ao cultivo da uva. A região, com seu clima favorável e solo fértil, tornou-se um importante centro de produção de vinho, impulsionado pelo conhecimento e pelas técnicas trazidas pelos italianos.

A italianidade em Jundiaí se manifesta de diversas formas, enriquecendo a cultura local. As tradições culinárias, como a produção de massas frescas, pães artesanais e vinhos, foram incorporadas aos hábitos alimentares da região. A música, a dança e as festas religiosas italianas animam as comunidades, criando um ambiente festivo e acolhedor.

As associações italianas, desempenharam um papel fundamental na preservação da cultura e da identidade étnica. Clubes sociais, teatros, escolas e até mesmo um hospital italiano mantinham vivas as tradições e o idioma, fortalecendo os laços entre os imigrantes.

No entanto, a italianidade em Jundiaí também enfrentou desafios e contradições. A política fascista, que buscou cooptar os imigrantes italianos, gerou divisões e conflitos nas comunidades.

A Segunda Guerra Mundial, com a entrada do Brasil ao lado dos Aliados, colocou os italianos em uma situação delicada, com restrições e vigilância, testando os limites da identidade étnica e da lealdade ao novo país.

A partir da década de 1950, a italianidade em Jundiaí passou por um processo de transformação. A industrialização, a urbanização e a modernização da agricultura reduziram a importância relativa da imigração italiana. 

As novas gerações, nascidas no Brasil, adotaram a cultura local, mas mantiveram o orgulho de suas raízes, preservando tradições e costumes.

A herança da imigração italiana em Jundiaí é visível na arquitetura, na culinária, na música e nos sobrenomes de milhares de pessoas. A cidade celebra suas raízes italianas através de eventos como a Festa da Uva, que homenageia a produção de vinho e a cultura italiana.

A italianidade, com seus percursos e descaminhos, contribuiu para a formação da identidade cultural de Jundiaí, enriquecendo o mosaico étnico do Brasil.


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domingo, 23 de março de 2025

A EVOLUÇÃO DA ARTE DE FAZER PÃO: DOS ÁZIMOS À MODERNIDADE

 

Ouça em https://open.spotify.com/episode/3Gmc7xExdOMcjKf1lx7T2d?si=bXK4VOC6QAi9tjtdR1wHJg o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


A arte de fazer pão acompanha a história da humanidade, evoluindo de técnicas rudimentares a processos altamente tecnológicos. Desde os pães ázimos, simples misturas de farinha e água, até as modernas máquinas de fazer pão, a jornada é rica em tradição, inovação e sabor.

Os primeiros pães da história eram os ázimos, ou seja, feitos sem fermento. Sua origem remonta a milhares de anos, com registros em diversas culturas antigas. A simplicidade da receita, farinha e água, refletia a praticidade e a necessidade de um alimento básico e rápido.

A descoberta do fermento marcou um ponto de virada na história do pão. A fermentação, processo natural que libera dióxido de carbono, transformou a textura e o sabor do pão, tornando-o mais leve e macio. Acredita-se que a descoberta tenha sido acidental, com a observação de massas que fermentavam naturalmente devido à presença de leveduras no ar.

Ao longo dos séculos, as técnicas de panificação se aprimoraram. Diferentes tipos de farinha, grãos e fermentos foram incorporados, resultando em uma variedade de pães com sabores e texturas únicas. A sova manual, o tempo de descanso e a modelagem se tornaram etapas cruciais no processo de produção.

A Revolução Industrial trouxe consigo a mecanização da produção de pão. Moinhos de farinha mais eficientes, fornos a vapor e máquinas de sovar permitiram a produção em larga escala, tornando o pão mais acessível à população.

A invenção da máquina de fazer pão doméstica, no século XX, democratizou a produção de pão caseiro. Com um simples toque de botão, é possível preparar pães frescos e saborosos, sem a necessidade de habilidades avançadas ou equipamentos complexos.

Apesar da praticidade das máquinas de pão, a arte de fazer pão artesanal continua viva. Padeiros e entusiastas exploram técnicas ancestrais, fermentação natural e ingredientes orgânicos, buscando resgatar o sabor e a tradição do pão feito à mão.

A arte de fazer pão se manifesta em uma infinidade de formas e sabores ao redor do mundo: pães italianos, franceses, árabes, indianos, cada um com sua identidade cultural e tradição. A diversidade é um reflexo da riqueza da panificação e da sua importância na história da humanidade.

A arte de fazer pão, seja em sua forma mais simples ou sofisticada, continua a encantar e nutrir pessoas em todo o mundo. A paixão pelo pão, transmitida de geração em geração, garante que essa tradição milenar permaneça viva e saborosa.

Não podemos nos esquecer de que fazer pão em casa é um ato de amor e cuidado. É dedicar tempo e atenção a um processo que nutre o corpo e a alma. É compartilhar com familiares e amigos, um pão fresco e saboroso, fruto do seu trabalho.


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segunda-feira, 3 de março de 2025

BOATE OASIS: O CORAÇÃO DA NOITE PAULISTANA NOS ANOS 1950


Ouça em https://open.spotify.com/episode/7egsrhYiyPFlioAKs2fQwv?si=Prag6EZmTgCN5HQSiOSFwg  o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

São Paulo viveu uma efervescência cultural e de entretenimento no final dos anos 1940 e começo dos anos 1950, quando grupos de intelectuais e artistas lançaram a moda de “sair de casa”, numa sociedade outrora fechada em pequenos núcleos, provincianos.

Nesse período surgiram boates de categoria que se tornaram pontos de encontro desses grupos.

A mais famosa delas foi a Oasis, que ficava em um porão do emblemático Edifico Ester, um prédio misto de apartamentos e escritórios na Praça da República, construção modernista lançada pela família Coutinho Nogueira, fazendeiros de café da região de Campinas. A entrada era pela Rua Sete de Abril; mais tarde funcionou ali o Executivo, uma boate não tão refinada assim.

O Ester marcou época, é bonito até hoje, era chique morar e trabalhar ali; atraiu pessoas como o arquiteto Rino Levi, que tinha ali seu escritório. O Dr. Hugo Ribeiro de Almeida, intelectual e famoso otorrinolaringologista tinha seu consultório no Ester.

Hoje o prédio é tombado como testemunho de uma época de transição da S.Paulo antiga para a S.Paulo de hoje.

A Oasis marcou época como boate refinada, com uma frequência selecionada e atrações musicais de primeira. Circulavam por lá Gofredo da Silva Yelles e sua esposa Carolina, sua ex-esposa Lygia Fagundes Telles, além de intelectuais e profissionais como o arquiteto Flavio de Carvalho, Assis Chateaubriand, Sergio Milliet, Tarsila do Amaral, Luis Martins, Mario Donato, Dinah Silveira de Queiroz, Jamil Almasur Haddad e outros.

Grandes artistas apresentaram-se ali, dentre eles Bill Haley e seus Cometas, a primeira banda de rock conhecida mundialmente.

Mas não foi só a Oasis que marcou época. Outras como a Lord , na Av.São João, onde a crooner era Hebe Camargo e cantou Edith Piaf, a Excelsior, na Av.Ipiranga, no hotel do mesmo nome, e algumas poucas outras, onde se apresentaram artistas como Charles Trenet, o maior cantor francês da época, o astro da canção mexicana Pedro Vargas, Lucho Gatica, Sarah Vaughan, Jaqueline Baker, o rei do bolero Gregorio Barrios e outros.

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OS TRENS DA COMPANHIA PAULISTA E O FILÉ ARCESP


Ouça em https://open.spotify.com/episode/1TIOJDPGEEvoqEJMk6Rdth?si=xEYubX30Tkmpx1ZkeLhMEw
 o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Até o início dos anos 1980, os trens da Companhia Paulista de Estradas de Ferro eram um excelente meio de transporte entre a capital e o interior do Estado de São Paulo.

Os trens de longo curso da Paulista, que ligavam São Paulo às barrancas do rio Paraná, eram dotados de carros restaurante, onde podia-se desde simplesmente tomar uma cerveja bem gelada, um gin tônica ou uma dose de uísque e petiscar, até almoçar ou jantar.

Houve tempo em que, para ir a esses carros, era necessário vestir paletó e gravata e retirar uma senha.

O prato mais famoso servido nesses carros era o Filé ARCESP.

O consagrado jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, natural de Araraquara, que viajou muito nos trens da Companhia Paulista, lembra o filé: "Era um bife muito grande, com tomate, ervilhas e cebola servidos na manteiga, acompanhado de arroz", descreve Loyola. "Até hoje lembro do aroma."

O nome do prato homenageava passageiros muito frequentes: os viajantes, como eram chamados na época os representantes comerciais; o nome do prato, vem do nome da entidade que os reunia, a Associação dos Representantes Comerciais do Estado de São Paulo - ARCESP.

A receita original se perdeu, mas das lembranças de viajantes é possível tentar reproduzi-la. Uma receita também pode ser encontrada no YouTube, embora falte um ingrediente hoje impossível de encontrar: os trens da Companhia Paulista...


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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

VIGILANTE RODOVIÁRIO: DA FICÇÃO PARA A VIDA REAL COMO HERÓI DAS ESTRADAS


Ouça em https://open.spotify.com/episode/6e4yNoMcfnWAShJpp3Us0v?si=852lX2PUTMuLgCb1S25JPg  
 o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Faleceu recentemente, aos 91 anos, Carlos Miranda, o ator que personificou o Inspetor Carlos, na série Vigilante Rodoviário.

A série de televisão é um marco na história da TV no país. Criada por Ary Fernandes e exibida pela primeira vez em 3 de janeiro de 1962, foi a primeira série de ação da TV brasileira. Foram 38 episódios, todos em preto e branco, transmitidos até 1963.

A trama gira em torno de Carlos, o Vigilante Rodoviário, interpretado por Carlos Miranda. Carlos é um policial rodoviário que, junto com seu fiel companheiro Lobo, um pastor-alemão, patrulha as estradas do Brasil, combatendo o crime e ajudando os necessitados.

Equipado com um Simca Chambord, um dos carros mais famosos da época, o personagem se tornou um símbolo de justiça e segurança nas estradas.

A série foi um grande sucesso de audiência e conquistou o coração do público brasileiro, especialmente das crianças e adolescentes da época. Além das emocionantes aventuras de Carlos e Lobo, a série destacava valores como honestidade, coragem e senso de dever.

Cada episódio abordava um problema diferente, desde contrabando e roubo até desaparecimento de pessoas e acidentes de trânsito.

A série deixou uma herança duradoura na cultura brasileira: inspirou quadrinhos, brinquedos e filmes, e continua sendo lembrada com carinho por aqueles que viveram a época.

Mesmo décadas após o fim de sua exibição original, "Vigilante Rodoviário" mantém um lugar especial na memória coletiva do Brasil, representando não apenas uma era dourada da televisão, mas também os valores de justiça e serviço público.

A série é um testemunho do impacto duradouro que a TV pode ter na formação de uma cultura e na promoção de ideais positivos.

Carlos Miranda protagonizou também um caso muito interessante: seu personagem saiu da ficção e foi para a vida real: após o final da série, ele ingressou na Polícia Rodoviária, onde fez carreira, tendo atingido o posto de tenente-coronel.


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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

BAR DO ZÉ, O ÚLTIMO BOTECO RAIZ DA RUA MARIA ANTONIA



Ouça em https://open.spotify.com/episode/7bY6loaCUOC43tmESDHALA?si=vV9jHTziSAWbXHUciBNGzw o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Com raízes em uma pequena mercearia situada na esquina da Maria Antonia com a Dr. Vila Nova, em São Paulo, o Bar do Zé marcou época.

A rua ficou famosa nacionalmente a partir de 1968, quando aconteceu ali a triste “Guerra da Maria Antonia”, onde alunos do Mackenzie e da Faculdade de Filosofia da USP, instituições que ficavam uma defronte a outra, se enfrentaram a tiros. Ouve uma morte e diversos feridos, com o prédio da USP tendo sido incendiado e a faculdade sendo obrigada a mudar-se.

O Bar do Zé, cujo nome oficial era “Bar e Lanches Faculdade” ficou famoso, entre outras coisas, pelos seus sanduíches. O de pernil era uma delícia e os boêmios tradicionais do bar nunca eram incomodados pelo Zé ou pelos garçons – lembro-me bem do Arlindo, do Odair e do Alex. 

Tinha uma frequência interessante: de manhã, bem cedo, estudantes do Mackenzie (inclusive do ensino médio) tomavam café da manhã. Logo depois deles, chegavam os funcionários do Sesc, Senac e outras instituições da região, também para o café da manhã.

Na hora do almoço, gente de toda espécie, almoçando ou comendo sanduíches. Ao final da tarde, estudantes já tomavam uma cervejinha. No início da noite, os mesmos trabalhadores citados acima iam bebericar também. 

Logo após chegavam estudantes dos cursos noturnos, que matavam as aulas seguidos dos frequentadores tradicionais. Após o final das aulas, muitos professores do Mackenzie – meu marido inclusive, que era chamado pelos garçons de “professor”, e eu de “professora”.


Era um lugar onde se ficava à vontade – eu gosto de tirar os sapatos, e ali inclusive podia colocar meus pés em uma cadeira, ao final da noite. Quando preciso, era possível pendurar a conta ou descontar um cheque.

O Zé era também a sede do Unidos da Maria Antonia, um bloco que se reunia na tarde do sábado de carnaval. O Unidos talvez fosse o único bloco que desfilava parado: a rua era fechada, um trio elétrico estacionava em frente ao Zé e a cerveja rolava até tarde da noite.

O Bloco foi fundado em 1989 pelo Midnight (foto ao lado), o João Carlos Nascimento, um dos mais famosos frequentadores do Zé e que morreu em 2017 - vale a pena registrar que o Midnight quando me cumprimentava, beijava minha mão; bem à moda antiga.

O cronista Mario Prata, que frequentava o Zé, escreveu uma bela crônica sobre o bar que foi frequentado também por figuras como Delfim Neto, Fernando Henrique Cardoso, José Dirceu, Chico Buarque, Carlos Lyra, Toquinho e outros.

O dono do bar era o Zé Rodrigues, um português que acabou arrendando a casa para outro patrício, natural da ilha da Madeira – ele não foi feliz na administração e a chegada da pandemia acabou liquidando o Bar.

O prédio foi reformado, tendo se instalado ali um outro estabelecimento, muito chique, sem o espírito boêmio do Zé, mas que parece não ter caído no gosto do pessoal da região, vive sempre praticamente vazio.

Hoje, meu bar na Maria Antonia é o MacFil, onde a alegria dos estudantes, a gentileza dos garçons e a cerveja, estupidamente gelada, ao menos lembram o Bar do Zé, o último boteco raiz da rua Maria Antonia.


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domingo, 2 de fevereiro de 2025

RASTRO DE UM ÍCONE: APARÍCIO BASÍLIO DA SILVA

 



Ouça em https://open.spotify.com/episode/1g5NXJbjKTM1gOXE4q9iE8?si=ttVC4fCoTH61AYPWIML-NQ o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:


Aparício Basílio da Silva nascido em 1936 estava sempre presente nas colunas sociais: o colunista Nirlando Beltrão elegeu-o o homem mais elegante de São Paulo.

Em 1956, Aparício abriu sua butique, a Rastro, na então glamorosa rua Augusta. Ali ele vendia produtos de moda e decoração, muitos desenhados por ele próprio.

Aparicio desenvolveu a ideia de lançar uma fragrância de qualidade igual à dos perfumes importados, mas com algum toque de brasilidade – em 1965 lançou a água-de-colônia Rastro.

O perfume era dado como brinde aos clientes da loja, mas ficou tão famoso que passou a ser comercializado, sendo considerado o primeiro perfume de luxo do Brasil – sua embalagem também foi projetada por Aparício.

A colônia, na cor verde, tornou-se um objeto do desejo de todos, brilhando até os anos 1980, quando começou a perder mercado para os importados e para concorrentes nacionais como Avon e Natura.

Aparício era um homem culto. Estudou arte, foi artista plástico e colecionador de obras de arte. Também foi presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo durante nove anos e escreveu alguns livros.

Aparício teve um final trágico: em 1992 sofreu um sequestro e acabou morto por criminosos que buscavam dinheiro.

A marca criada por Aparício pertence atualmente ao grupo Hypermarcas, que produz alguns itens que levam o nome Rastro, mas não a tradicional colônia verde.


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

SE A MARCA É CICA, BONS PRODUTOS INDICA!!!


Ouça em
https://open.spotify.com/episode/0yhMJEBqgz7jazq641eVTt?si=l6GF8JcmRDeYzraN23wwcw o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

A CICA, Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, foi um marco na história industrial de Jundiaí e um dos maiores produtores de conservas da América Latina.

Fundada em 1941 por um grupo de empresários italianos, a empresa rapidamente se consolidou no mercado brasileiro, principalmente com seu famoso extrato de tomate Elefante.

Os idealizadores da CICA, Alberto Bonfiglioli, Antonino Messina e Orlando Paschoal Guzzo, já eram sócios em outros empreendimentos. 

A escolha por Jundiaí como sede da fábrica foi estratégica: a cidade era um importante centro ferroviário e contava com a recém inaugurada via Anhanguera, facilitando a distribuição dos produtos.

A CICA iniciou suas operações em uma fábrica moderna e bem equipada - produção inicial era focada no extrato de tomate, mas logo se diversificou para outros produtos como frutas em conserva, geleias e azeitonas.

Com o passar dos anos, a empresa expandiu suas operações, construindo novas unidades e aumentando sua capacidade produtiva. O Banco Auxiliar, outro negócio daqueles empresários, contribuiu para o crescimento da empresa. 

A marca Elefante se tornou sinônimo de qualidade e tradição, conquistando a preferência dos consumidores brasileiros e do exterior.

A CICA desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento econômico de Jundiaí;  gerou milhares de empregos, impulsionou o crescimento da cidade e contribuiu para a melhoria da qualidade de vida da população.

Além disso, a CICA atraiu outras empresas para a região, consolidando Jundiaí como um importante centro industrial.

Apesar de seu sucesso, a CICA enfrentou dificuldades financeiras nos anos 1980, devido à crise econômica brasileira e a problemas do Banco Auxiliar, cuja expansão agressiva, aliada à crise econômica, acabaram levando-o à falência e arrastando a CICA consigo.

A empresa foi vendida diversas vezes, passando por diferentes grupos empresariais. A marca Elefante, que por tanto tempo foi um símbolo de qualidade, foi aos poucos perdendo sua relevância no mercado.

Mesmo com o fim de suas atividades, a CICA é extremamente importante para Jundiaí e para o Brasil. A empresa foi um exemplo de empreendedorismo, inovação e desenvolvimento industrial. 

A história da CICA é uma inspiração para futuras gerações de empresários e empreendedores.

A CICA pode não existir mais, mas sua história continua sendo contada e celebrada em Jundiaí, mostrando como a iniciativa, o trabalho duro e a visão de futuro podem transformar uma cidade e deixar sua marca para sempre nos corações de quem conviveu com ela.


Abaixo seguem dois links de propaganda do extrato de tomate e um anúncio:

Extrato de tomate Cica de 1969 (Turma da Mônica). . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5vt3s_TDLog

Extrato de tomate Elefante - Cica - Comercial super antigo e raro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YLkdslblwPw




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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

PIOLIN: O PALHAÇO QUE ENCANTOU O BRASIL

 

Ouça em https://open.spotify.com/episode/7FJrUID3dpsdBZ9Obuibpj?si=iMUTg0tVSi-GoyvlB-5Z1A o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

Abelardo Pinto, mais conhecido como Piolin, nasceu em 27 de março de 1897, em um ambiente que o predestinaria a ser um dos maiores palhaços do Brasil: um circo armado na rua Barão do Amazonas, em Ribeirão Preto. 

Ainda criança, iniciou sua jornada circense no Circo Americano, onde aprendeu as primeiras acrobacias e desenvolveu sua habilidade cômica.

Filho de artistas circenses, Piolin cresceu em um mundo mágico e colorido, onde a alegria e a fantasia eram o pão de cada dia. Sua magreza e pernas longas lhe renderam o apelido "Piolin", que em espanhol, significa barbante fino. Essa característica física, aliada ao seu talento nato para a comédia, o tornaria inconfundível.

A genialidade de Piolin ultrapassou os limites do picadeiro. Sua arte cativou os intelectuais da Semana de Arte Moderna de 1922, movimento que buscava uma identidade artística genuinamente brasileira. Os modernistas viam em Piolin a representação do povo brasileiro, simples, alegre e criativo.

A fama de Piolin se espalhou por todo o Brasil. Ele era admirado por pessoas de todas as classes sociais, desde crianças até presidentes. Washington Luis, presidente da República, era um de seus maiores fãs e frequentava suas apresentações.

Em reconhecimento à sua importância para a cultura brasileira, o dia de nascimento de Piolin, 27 de março, foi escolhido como o Dia do Circo no Brasil. Seu legado transcendeu as fronteiras do circo e o tornou um ícone da cultura popular brasileira.

Piolin participou de filmes, como "Tico-tico no Fubá", trazendo alegria e criatividade. Sua morte, em 4 de setembro de 1973, foi lamentada por todo o país. Um grande público compareceu ao Cemitério da Quarta Parada para prestar suas últimas homenagens ao palhaço que havia conquistado o coração de todos.

A figura de Piolin continua a encantar gerações. Sua história é um exemplo de como a arte circense pode ser uma forma de expressão poderosa e capaz de unir pessoas de diferentes origens e classes sociais. 

Seu legado nos inspira a valorizar a cultura popular e a buscar a alegria em todas as áreas de nossas vidas.


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

SABÃO EM PÓ: UMA REVOLUÇÃO NO BRASIL

 

Ouça em https://open.spotify.com/episode/49CgHrSuKuHmz2esoQZTfm?si=jVoQXATRS7WunQNUHqbDJg o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

A chegada do sabão em pó revolucionou os hábitos de limpeza no Brasil, substituindo o tradicional sabão em pedra.

Foi em 1953 que o primeiro sabão em pó brasileiro, o Rinso, começou a ser fabricado pela Irmãos Lever, atual Unilever. 

Produzido na Vila Anastácio, em São Paulo, o Rinso enfrentou um desafio inicial: convencer as consumidoras de que um pó poderia ser tão eficaz quanto o sabão em pedra. Afinal, o preço do novo produto era mais elevado e as mulheres da época estavam acostumadas com os métodos tradicionais de lavagem.

Para superar essa resistência, a empresa investiu em uma estratégia de marketing inovadora para a época. Equipes de representantes da Lever percorreram diversas cidades brasileiras, realizando demonstrações práticas do produto nas próprias casas das consumidoras. 

A ideia era mostrar, na prática, a eficácia do Rinso e como ele poderia facilitar o dia a dia das donas de casa.

Com o sucesso do Rinso, outras marcas entraram no mercado, intensificando a concorrência e impulsionando o desenvolvimento de novas fórmulas e tecnologias. O sabão em pó passou a ser oferecido em diversas variedades, com diferentes fragrâncias e benefícios, como ação antibacteriana e branqueamento extra.

Rapidamente se tornou um ícone da cultura popular, associado à limpeza, modernidade e bem-estar. Sua presença em propagandas e canções consolidou sua imagem como um produto essencial nas casas brasileiras.

O caso do Rinso e a história da Unilever no Brasil demonstram como uma empresa pode inovar e transformar o mercado, adaptando-se às necessidades e aos hábitos de consumo da população.

Rinso tornou-se um símbolo de progresso e modernidade, deixando um legado duradouro na história do consumo brasileiro. A partir de 1957 sabão em pó RINSO foi substituído gradualmente pelo detergente em pó OMO.

Além de facilitar a vida das donas de casa, transformar os hábitos de limpeza e de cultura, a chegada do sabão em pó teve um impacto significativo na economia brasileira, gerando empregos e impulsionando o crescimento da indústria.

Tornou-se um marco na história do consumo no Brasil e representou uma grande mudança nos hábitos e na cultura da população.

Ao longo dos anos, o sabão em pó passou por diversas transformações, adaptando-se às necessidades e aos hábitos de consumo da população. 

Atualmente, existem diversas opções de sabão em pó no mercado, desde os produtos tradicionais até aqueles com formulações mais ecológicas e biodegradáveis.

No link que segue pode-se ouvir uma propaganda do Rinso https://youtu.be/sks4UMSQytI?si=lA6U2PdlzSsNAsWQ


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

ESTAÇÃO DA LUZ: UM MARCO HISTÓRICO DE SÃO PAULO

 




Ouça em https://open.spotify.com/episode/7aaTtF8h0pEVeWWvWIv4t0?si=s_G-9ZcWRDCuUhJbSRpiXQ o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

A Estação da Luz, localizada no centro da cidade de São Paulo, foi inaugurada em 1901 e carrega consigo um pedacinho da história da Inglaterra. Essa imponente estrutura é um testemunho da influência britânica na urbanização e no desenvolvimento do Brasil.

A construção da Estação foi parte de um ambicioso projeto de expansão da rede ferroviária paulista, liderado por empresas inglesas. A São Paulo Railway, uma dessas empresas, contratou o engenheiro britânico Charles Henry Driver para projetar a Estação, que seria a principal dessa importante linha férrea.

Tornou-se o principal ponto de chegada e partida dos trens que ligavam São Paulo ao interior do estado, ao Porto de Santos e a outras regiões do país. A Estação era o portal de entrada para a cidade, um local de encontros, despedidas e de grandes expectativas e também um símbolo de modernidade e progresso; rapidamente se tornou um ponto de referência da cidade.

Além de sua função como terminal ferroviário, a Estação da Luz também se tornou um importante centro cultural e social. Seus salões amplos e elegantes eram utilizados para eventos e festas, e a Estação se tornou um ponto de encontro da elite paulistana.

Ao longo dos anos, a Estação da Luz passou por diversas transformações e adaptações. Atualmente, além de continuar sendo um importante terminal metro-ferroviário, abriga o Museu da Língua Portuguesa, um espaço cultural dedicado à valorização e à divulgação da língua portuguesa.

A arquitetura da Estação da Luz é um show à parte. Suas linhas elegantes, suas grandes janelas, seu relógio e seus detalhes em ferro forjado conferem ao edifício um ar de grandiosidade e imponência. A Estação é um exemplo da arquitetura eclética do século XIX, que mescla elementos de diferentes estilos, como o neoclássico e o art nouveau.

A Estação da Luz não é apenas um prédio histórico. Ela é um símbolo da identidade paulistana, um lugar que evoca memórias e emoções em todos aqueles que a visitam. Ao caminhar por suas plataformas, é possível sentir a energia da cidade e imaginar a movimentação de pessoas e mercadorias que ocorria no passado e sua importância para o desenvolvimento da cidade, do estado e do país, que faz dela um dos locais mais visitados e admirados pelos paulistanos e turistas.



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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

EDIFÍCIO ESTHER: UM MARCO DA ARQUITETURA MODERNISTA DE SÃO PAULO


Ouça em https://open.spotify.com/episode/5FDTtBAiSX179mOHcSvhSA?si=Q_kQLxerQk2ThyW6ERxo9g o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir:

O Edifício Esther, localizado na Praça da República, no centro de São Paulo, é um marco da arquitetura modernista brasileira e um dos primeiros edifícios de grande porte construídos sob os princípios funcionalistas na cidade. 

Projetado pelos arquitetos Álvaro Vital Brazil e Adhemar Marinho, o edifício foi inaugurado em 1938 e desde então se tornou um marco da arquitetura paulistana.

Composto por 10 andares, o Edifício Esther abriga uma mistura de espaços comerciais e residenciais, sendo um dos primeiros exemplos de edifício de uso misto no Brasil.

Sua estrutura de concreto armado e alvenaria de tijolos permitiu uma grande flexibilidade na planta, com lajes contínuas que possibilitavam a criação de ambientes variados e adaptáveis às diferentes necessidades dos ocupantes.

A fachada do edifício, com suas linhas horizontais e verticais, e a ausência de ornamentos, são características típicas da arquitetura modernista. As grandes janelas, que inundam os ambientes de luz natural, e os balcões contínuos, que proporcionam uma vista privilegiada da cidade, são outros elementos que conferem ao edifício um ar de modernidade e leveza.

O Edifício Esther foi construído por encomenda de Paulo de Almeida Nogueira, que o batizou em homenagem à sua esposa.

A sede da Usina de Açúcar Esther, de propriedade de Nogueira, ocupava parte do edifício, que também abrigava salas comerciais, escritórios e apartamentos residenciais.

Ao longo dos anos, o Edifício Esther passou por diversas reformas e adaptações, mas manteve sua essência original. Atualmente, o edifício é tombado pelo patrimônio histórico e cultural de São Paulo, o que garante sua preservação para as futuras gerações.

O Edifício Esther não é simplesmente um prédio; ele representa um momento importante da história da arquitetura brasileira. Sua construção marcou o início de uma nova era na arquitetura paulistana, caracterizada pela busca por soluções mais funcionais e estéticas para os edifícios. 

O edifício continua sendo uma referência para arquitetos e urbanistas e um símbolo da modernidade e do progresso da cidade de São Paulo.

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CONFEITARIA VIENENSE: UM ÍCONE DA HISTÓRIA E DA CULTURA PAULISTANA


Ouça em 
https://open.spotify.com/episode/6LtmBYGG8q6H4k8boN8yZo?si=cRTA3U0rRRyiEv8kgvW26w       o áudio produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 

A Confeitaria Vienense foi mais do que um simples estabelecimento para saborear doces e cafés em São Paulo. Fundada no início do século XX, ela se tornou um verdadeiro ícone da cidade, um ponto de encontro para a elite paulistana e um marco da história e da cultura local.

Localizada na Rua Barão de Itapetininga, (falamos desta rua em outro post https://beteteacher.blogspot.com/2023/10/rua-barao-de-itapetininga-foi-uma-das.html) uma das mais charmosas da época, a Vienense era sinônimo de requinte e elegância. Seus salões, ricamente decorados, abrigavam um público diversificado: desde famílias tradicionais até intelectuais e artistas. O ambiente era propício para conversas, encontros e celebrações, tornando a confeitaria um espaço de sociabilização e de construção de memórias.

Além da atmosfera sofisticada, a Vienense era famosa por seus doces e salgados, preparados com ingredientes de alta qualidade. Os bolos, tortas e outras delícias eram verdadeiras obras de arte culinárias, elaboradas por talentosos confeiteiros. O café, por sua vez, era servido em xícaras delicadas e acompanhado de pequenas porções de doces, criando um ritual que se tornou um hábito para muitos frequentadores.

Como um espaço de cultura, a casa organizava eventos musicais, exposições de arte e outras atividades que atraíam um público ainda mais seleto. A Vienense se tornou, assim, um ponto de referência para a vida cultural da cidade.

Com o passar dos anos, a Confeitaria Vienense foi perdendo um pouco de seu brilho original. A mudança dos hábitos de consumo e o surgimento de novos centros comerciais contribuíram para o declínio do estabelecimento. A Vienense fechou suas portas no final do século XX, deixando saudades em todos aqueles que a frequentavam.

Apesar de não existir mais fisicamente, a Confeitaria Vienense continua viva na memória de muitos paulistanos. Suas histórias e tradições são contadas de geração em geração, mantendo viva a lembrança de um lugar que marcou a história da cidade. 

A Vienense é um símbolo de uma época em que a vida corria em um ritmo mais lento e as pessoas valorizavam os prazeres simples da vida, como um bom café e uma conversa agradável.


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