terça-feira, 18 de agosto de 2026

ARACY GUIMARÃES ROSA: A BRASILEIRA QUE DESAFIOU O NAZISMO SALVANDO CENTENAS DE JUDEUS

Assista em https://youtu.be/-FsFNY-DtNM?is=21Ke2Bn-WXeue7hw  
o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 



Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, nascida em Rio Negro (PR) em 5 de dezembro de 1908, construiu uma história de coragem e humanitarismo que marcou a diplomacia brasileira no século XX.

Filha de pai luso-brasileiro e mãe alemã, cresceu em São Paulo, onde teve acesso a uma formação acadêmica refinada, tornando-se poliglota.

Em 1934, após o fim de seu primeiro casamento, mudou-se para a Alemanha com o filho de quatro anos para recomeçar a vida.

Com domínio fluente do português, alemão, inglês e francês, foi contratada em 1936 para chefiar a Seção de Passaportes do Consulado do Brasil em Hamburgo. 

Do seu posto, testemunhou de perto a violenta escalada da perseguição promovida pelo regime nazista contra a população judaica.

Nessa mesma época, o governo de Getúlio Vargas alinhava-se ideologicamente à Alemanha e emitiu circulares secretas que restringiam a concessão de vistos a judeus.

Diante do dilema humanitário, Aracy decidiu arriscar a própria vida para burlar a burocracia. Ela passou a ignorar a exigência de marcar com a letra "J" os passaportes dos perseguidos e misturava as autorizações de entrada no Brasil entre as pilhas de papéis que o cônsul-geral assinava diariamente.

Em 1938, o diplomata e escritor João Guimarães Rosa assumiu o cargo de cônsul-adjunto na cidade. Ao descobrir a operação clandestina, aderiu à causa e mais tarde se tornaria  marido de Aracy.

Além dos vistos, Aracy abrigou judeus em sua própria casa e auxiliou na fuga de famílias até as fronteiras, salvando centenas de pessoas dos campos de concentração.

Em 1942, com o rompimento das relações entre Brasil e Alemanha, o casal foi detido pela Gestapo em um hotel por 100 dias até a troca formal de diplomatas. 

Mais tarde, já de volta ao Brasil, oficializaram a união. Guimarães Rosa dedicou a ela seu clássico Grande Sertão: Veredas (1956).

Em 1982, Aracy recebeu de Israel o título de "Justa entre as Nações", maior honraria concedida a não judeus que combateram o Holocausto.

Apelidada de "Anjo de Hamburgo", ela faleceu em São Paulo em 2011, aos 102 anos. 

Sua vida foi retratada na minissérie Passaporte para Liberdade (2021).


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