domingo, 27 de setembro de 2026

ABREUGRAFIA: A INVENÇÃO BRASILEIRA QUE REVOLUCIONOU O COMBATE À TUBERCULOSE



Assista em https://youtu.be/Blr3GKbovEc?is=wxr7j7JPPLkL24g3 o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


No início do século XX, a tuberculose era um grande problema de saúde pública em todo o mundo. 

No Brasil, as taxas de mortalidade pela doença eram altas e os diagnósticos tardios comprometiam qualquer tentativa de tratamento.

Foi nesse contexto que o médico paulista Manoel Dias de Abreu revolucionou a medicina ao inventar, em 1936, a abreugrafia.

Até então, as radiografias, que podiam levar ao diagnostico precoce e aumentar as possibilidades de cura eram caras, o que tornava inviáveis as triagens em larga escala.

Abreu concebeu um sistema que consistia em fotografar, com câmeras portáteis e filmes de baixo custo, a imagem formada pela passagem dos raios-X em uma tela fluorescente, gerando uma imagem em tamanho pequeno, mas que permitia identificar a doença em seu início. O método era cerca de 100 vezes mais barato que a radiografia convencional.

Isso permitiu a criação de unidades móveis e campanhas de triagem em massa, não só no Brasil mas outros em países, salvando milhares de vidas.

O impacto internacional da invenção rendeu a Manoel de Abreu três indicações ao Prêmio Nobel, nos anos de 1946, 1951 e 1953.

​Com a drástica queda nos índices da doença, causada pelo uso da abreugrafia e novas drogas, as campanhas de exames em massa foram descontinuadas na década de 1970.

Hoje, o diagnóstico da tuberculose é feito prioritariamente por meio de exames de escarro.

Ainda assim, a contribuição histórica de Abreu permanece viva; no Brasil, o Dia Nacional da Abreugrafia é celebrado em 4 de janeiro, data de nascimento do médico que transformou o combate a uma das doenças mais letais da história e colocou a ciência brasileira em destaque global.


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domingo, 13 de setembro de 2026

DORINA NOWILL: UMA VIDA DEDICADA À INCLUSÃO



Assista em https://youtu.be/kDaZcP2DT4E?is=eH1sMSfjUMgo0yDM o vídeo produzido para a Educa Web Radio, cujo texto está a seguir: 


Dorina Nowill nasceu em São Paulo, em 1919 e perdeu a visão aos 17 anos. 

O que poderia ter sido apenas uma tragédia pessoal transformou-se em missão: lutar pela educação e inclusão das pessoas cegas no Brasil. Foi pioneira ao se tornar a primeira aluna cega da tradicional Escola Normal Caetano de Campos. 

Em 1946, diante da escassez de livros em Braille, fundou a instituição que se tornaria a Fundação Dorina Nowill, referência mundial na produção de livros acessíveis. 

Dois anos depois, com apoio internacional, concentrou esforços na criação da primeira editora que produziria livros em Braille.

Sua atuação ganhou dimensão global. Em 1954, trouxe ao Brasil a reunião do Conselho Mundial para o Bem-Estar do Cego, que durante seis décadas foi presidido por ela.

Participou da elaboração da lei de integração escolar, regulamentada em 1956, e entre 1961 e 1973 dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos do MEC.

Em 1981, no Ano Internacional da Pessoa Deficiente, Dorina Nowill representou o Brasil na Assembleia Geral da ONU. Em 1989, o Congresso Nacional ratificou a Convenção 1599 da OIT, que estabeleceu diretrizes para reabilitação e profissionalização de pessoas cegas.

Recebeu prêmios nacionais e internacionais e tornou-se símbolo da luta pela acessibilidade. A Fundação passou a produzir também livros falados e digitais, acompanhando recomendações da UNESCO.

Autora de “…E eu venci assim mesmo” (1996) e “Para Ver Além” (2002), Dorina seguiu ativa em palestras e campanhas até seus últimos anos. Em 2009, aos 90 anos, participou das comemorações dos 200 anos de Louis Braille.

Dorina dizia que “vencer na vida é manter-se de pé quando tudo parece estar abalado.” Sua história permitiu que milhares de brasileiros pudessem enxergar o mundo com os olhos da alma.

Faleceu em 2010, aos 91 anos, deixando uma herança que transcende gerações.


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